Drones russos ameaçam a Europa via frota fantasma
Crédito: pt.euronews.com
Crédito: <a href="https://pt.euronews.com/2026/09/24/eis-os-drones-com-os-quais-a-russia-poderia-atacar-a-europa-a-partir-da-frota-fantasma-no-" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">pt.euronews.com</a>

Na madrugada de 27 de agosto, a defesa aérea ucraniana abateu ou neutralizou 233 alvos russos num único bombardeamento noturno. Entre eles encontravam-se 258 drones de ataque, dois mísseis antinavio Oniks e vários mísseis balísticos Iskander-M e KN-23. O episódio evidencia a escala do arsenal de drones que Moscou pode empregar em diferentes teatros, incluindo o Mediterrâneo.

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, cerca de um terço desses drones era propulsado por motor a jato, enquanto o resto combinava aparelhos do tipo Shahed, sistemas Gerbera e mísseis Banderol, além de iscos. Essa diversidade de plataformas sugere flexibilidade tática e capacidade de saturar defesas, um cenário que preocupa analistas europeus.

A possibilidade de lançamento a partir da frota fantasma russa no Mediterrâneo amplia o alcance da ameaça. Embora as claims não detalhem operações específicas nessa região, as características técnicas dos drones indicam viabilidade para ataques a alvos costeiros europeus. A seguir, são apresentados os principais modelos e suas capacidades.

Shahed/Geran-2: o cavalo de batalha

É o modelo responsável pela maior parte dos ataques desde 2022. De concepção iraniana, a Rússia produz a sua própria versão em Alabuga sob a designação Geran-2. O fabricante original é a HESA / Shahed Aviation Industries, do Irã, com montagem russa em Alabuga.

As dimensões do drone são de 3,5 metros de comprimento e 2,5 metros de envergadura. A propulsão fica a cargo de um motor de pistão Mado MD-550, de quatro tempos e cerca de 50 cavalos, com hélice traseira. A velocidade de cruzeiro é de aproximadamente 185 km/h.

O alcance varia entre 1.000 e 2.500 quilômetros, dependendo da versão. A variante russa com ogiva reforçada de 90 kg tem raio reduzido para cerca de 1.000 quilômetros. A carga explosiva padrão fica entre 30 e 50 quilogramas, com carcaça que combina explosivo convencional, material termobárico e elementos metálicos de fragmentação.

O custo estimado por unidade é de 20.000 a 50.000 dólares. A taxa de interceptação ucraniana é estimada entre 65% e 85%, segundo a “Global Military”. Esses números indicam que, mesmo com defesas ativas, uma parcela significativa pode atingir alvos, especialmente se lançada em grande número a partir de plataformas navais.

Geran-3: a evolução a jato

O Geran-3, baseado no Shahed-238, reutilizava a fuselagem do Geran-2 com um turborreator adicional. Alcançava velocidades entre 300 e 370 km/h e um alcance operativo próximo dos 1.000 quilômetros, com uma ogiva combinada de efeitos térmicos e de fragmentação de cerca de 50 quilogramas.

A inteligência ucraniana chegou a identificar dezenas de componentes estrangeiros nos destroços, muitos provenientes de fabricantes norte-americanos, além de peças chinesas e europeias. Essa dependência de componentes externos pode ser um ponto de vulnerabilidade na cadeia de suprimentos russa, mas não impede a produção em escala.

O aumento de velocidade em relação ao Geran-2 reduz o tempo de reação das defesas, tornando o Geran-3 mais difícil de interceptar. Seu alcance de 1.000 km permite atingir alvos no sul da Europa a partir de lançamentos no Mediterrâneo central, dependendo da posição exata da embarcação.

Geran-4: redesign completo e maior alcance

O Geran-4 surgiu posteriormente com uma fuselagem completamente redesenhada, e não apenas adaptada. As suas dimensões mantêm-se semelhantes às do Shahed original, com cerca de 3,5 metros de comprimento e três de envergadura, mas com asas fixas integradas para reduzir a resistência aerodinâmica.

Segundo análises especializadas, voa em cruzeiro entre 300 e 350 km/h, com picos de até 500 km/h, atinge altitudes de 4.000 a 5.000 metros e entrega uma ogiva de 50 quilogramas a um alcance entre 450 e 850 quilômetros. Essas características o tornam adequado para ataques de precisão contra infraestrutura crítica.

O fabricante identificado pela inteligência ucraniana é a JSC Alabuga Skywalker Technology Co. O custo estimado é de cerca de 10.000 dólares por unidade, o que representa uma redução significativa em relação ao Geran-2 e sugere produção em massa para saturação de defesas.

Iscos e sistemas complementares

Além dos drones de ataque, a Rússia emprega iscos para confundir as defesas aéreas. Um modelo identificado tem dimensões de 2 metros de comprimento e 2,5 de envergadura. Na versão de isco, o alcance fica entre 300 e 600 quilômetros.

Esses iscos podem simular assinaturas de radar de drones maiores, forçando o adversário a gastar mísseis interceptores. A combinação de drones de ataque e iscos em ondas coordenadas é uma tática observada nos ataques à Ucrânia e pode ser replicada em outros cenários.

O uso de iscos a partir de navios no Mediterrâneo poderia sobrecarregar as defesas costeiras europeias, abrindo caminho para os drones com ogivas reais. A fonte não detalhou a proporção exata de iscos em relação aos drones de ataque nos lançamentos navais.

Implicações para a segurança europeia

Os dados técnicos dos drones russos indicam que a ameaça a partir do Mediterrâneo é plausível. Com alcances de até 2.500 km no caso do Geran-2, um navio posicionado no Mediterrâneo central poderia atingir alvos na Itália, Grécia ou sul da França, dependendo da variante e das condições de voo.

O custo relativamente baixo dos drones, entre 10.000 e 50.000 dólares, permite que a Rússia os empregue em grande quantidade, saturando as defesas aéreas. A taxa de interceptação ucraniana de 65% a 85% sugere que mesmo sistemas avançados não garantem proteção total, especialmente contra ataques coordenados com iscos.

As claims não especificam se a Rússia já posicionou drones em navios da frota fantasma no Mediterrâneo, mas as capacidades descritas são suficientes para alertar os planejadores de defesa europeus. O monitoramento de embarcações suspeitas e o reforço da defesa aérea costeira tornam-se prioridades diante desse cenário.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
6 + 3 =


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários