Em meio à escalada militar no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que o país mantém o controle do estreito de Ormuz. Assim sendo, na quarta-feira, ele comparou o bloqueio naval a uma “parede de aço” e disse que o Irã não pode fazer nada.
A via marítima é considerada vital para o fluxo de energia e para o transporte de outras mercadorias pelo mundo. Consequentemente, a declaração reforça a posição pública de Washington diante de um dos pontos mais estratégicos do comércio global.
EUA reivindicam controle do estreito
Além disso, Trump voltou a usar um tom de desafio ao falar sobre a região. “O nosso bloqueio naval está sendo chamado por todos de ‘UMA PAREDE DE AÇO’, e não há nada que o Irã possa fazer a respeito disso”, afirmou.
Na terça-feira à noite, ele disse a jornalistas: “Temos agora controle total sobre o estreito de Ormuz. Eles não têm controle. Temos controle total. É nosso.”
O líder americano tem afirmado repetidamente que os EUA controlam o estreito. A passagem é essencial para o fluxo de energia e para o transporte de outras mercadorias pelo Oriente Médio. Dessa forma, para Trump, a presença americana na rota é um fator de estabilidade.
Esse discurso, repetido em várias ocasiões, busca reafirmar a autoridade de Washington sobre a rota. Ademais, a importância estratégica do estreito faz com que as declarações tenham repercussão global. Consequentemente, qualquer ameaça à navegação afeta diretamente o abastecimento de petróleo e o comércio de outros produtos.
Irã contesta e ameaça com pedágios
Por outro lado, o Irã rejeita a tese do controle americano. Além disso, o governo iraniano afirma que controla, na prática, grande parte da via marítima e prometeu impor um sistema de pedágios. A medida seria uma resposta à guerra dos EUA lançada por Trump em 28 de fevereiro.
Apesar da promessa, a fonte não detalhou como a cobrança seria implementada. Segundo o Irã, essa data é usada como justificativa para as retaliações. Contudo, o sistema de pedágios, se for implementado, pode representar mais um capítulo na disputa.
A via marítima, segundo as declarações, é vital para o fluxo de energia e para o transporte de outras mercadorias. A disputa sobre o controle do estreito, portanto, transcende os dois países. Ou seja, o impacto econômico é um dos principais efeitos do impasse. As declarações de Trump e do Irã são acompanhadas de perto no cenário internacional.
Ataques a navios pressionam economia
A resposta iraniana, porém, não se limitou a palavras. Em seguida, o Irã atacou com mísseis bases norte-americanas na região, Israel e alvos em países do Golfo aliados a Washington. Além disso, a ação elevou o nível do confronto e ampliou o raio de tensão para além do estreito.
A resposta mais eficaz do Irã, no entanto, tem sido atacar navios que atravessam Ormuz. Ou seja, na prática, isso bloqueia a rota comercial e perturba a economia mundial. Dessa forma, a estratégia atinge diretamente o transporte de energia e de outras cargas, em um momento em que o mundo observa os efeitos do conflito.
Cenário político muda o tom de Washington
Diante do impasse, o cenário político interno americano também mudou os cálculos de Trump. Visto que a popularidade está em queda no país, antes das eleições de meio mandato de novembro para o Congresso, o presidente recuou nas ameaças de intensificar a guerra em busca de uma vitória decisiva. Além disso, a pressão eleitoral passou a influenciar diretamente as decisões sobre o conflito.
Estratégia de baixo perfil
O líder republicano afirma que os EUA estão preparados para se concentrar no bloqueio dos portos iranianos. Além disso, em entrevista ao site Axios, Trump descreveu a estratégia como “de baixo perfil”. Dessa forma, a expressão sugere uma abordagem menos ruidosa, mas ainda assim centrada em sufocar economicamente o Irã.
Trump recuou das ameaças de intensificar a guerra, mas mantém o bloqueio como ferramenta de pressão. Assim sendo, a estratégia de baixo perfil indica que a Casa Branca busca evitar um confronto aberto. A pressão econômica, no entanto, permanece como pilar da abordagem americana.
Pressão econômica como aposta
No domingo, Trump disse ao Axios: “Estamos apenas negociando em meio gás com eles. Limitamo-nos a observar o Irã, com a enorme inflação e o fato de não terem dinheiro.” Dessa forma, a fala reforça a aposta da Casa Branca em uma pressão econômica prolongada, em vez de uma escalada militar imediata. Contudo, resta saber se a estratégia será suficiente para dobrar Teerã.
Até aqui, os dois lados mantêm versões opostas sobre o controle do estreito. Enquanto Trump sustenta que a via está sob domínio americano, o Irã afirma ter influência sobre a região. Em resumo, o impasse segue sem data para solução, mantendo o mundo em alerta.
