Pesquisadores descobriram que os trovões, além do estrondo, geram pequenos abalos sísmicos capazes de viajar pelo solo. Chamados de “trovãomotos”, esses fenômenos foram detectados com a ajuda de cabos de fibra óptica comuns, já presentes em um campus universitário. Dessa forma, a nova técnica, descrita na revista Science Advances, usa tempestades como fonte para criar imagens do interior da Terra.
O estudo foi noticiado pelo Site Inovação Tecnológica em 27 de agosto de 2026. Além disso, segundo os pesquisadores, o assunto havia sido negligenciado até hoje; contudo, a infraestrutura de fibra óptica já existente nas cidades pode mudar esse cenário. Em seguida, no teste experimental, a técnica foi aplicada em um campus universitário, utilizando cabos de fibra óptica comuns.
O que são trovãomotos?
Assim sendo, os cabos de fibra óptica que passam por galerias subterrâneas em praticamente todas as cidades estão se transformando em sensores para medir um fenômeno que, até então, passava despercebido: como os trovões transferem energia para o solo. Ademais, de acordo com os geólogos, essa transferência envolve uma quantidade significativa de energia — o suficiente para gerar pequenos abalos sísmicos, que foram batizados de “trovãomotos”.
Esses abalos são descritos como autênticos terremotos gerados pelos trovões. Além disso, a detecção deles só foi possível graças a uma técnica chamada sensoriamento acústico distribuído.
Detecção com sensoriamento acústico distribuído
Esse método permite que os cabos de fibra óptica atuem como uma linha contínua de sensores, captando vibrações ao longo de toda a sua extensão. Ou seja, na prática, é como se cada ponto do cabo se tornasse um microfone capaz de registrar os sinais produzidos pelas tempestades.
Essas ondas sísmicas, embora pequenas, carregam informações sobre as camadas do subsolo por onde passam. Consequentemente, ao serem registradas pelos sensores, elas podem ser utilizadas para entender a estrutura geológica da região. Dessa forma, essa abordagem representa uma mudança de perspectiva para a geofísica, pois transforma uma infraestrutura urbana comum em uma ferramenta científica para observar o que está sob a superfície.
Duas novidades em um só estudo
O estudo traz duas novidades importantes:
- Fonte natural: as ondas captadas foram ondas acústicas produzidas por trovões, e não por terremotos ou equipamentos sísmicos ativos. Isso significa que a fonte dos sinais é natural, vinda das tempestades, sem a necessidade de usar fontes artificiais de vibração.
- Infraestrutura existente: os sensores utilizados não eram instrumentos especializados, mas sim cabos de fibra óptica comuns, já instalados no campus da universidade. Essa característica é particularmente relevante, pois indica que a tecnologia pode ser aplicada em outros locais onde essa infraestrutura já esteja disponível.
Portanto, juntas, essas duas novidades revelam um caminho promissor: utilizar fenômenos naturais e estruturas existentes para estudar o interior da Terra, uma área que tradicionalmente depende de equipamentos dedicados e de alto custo.
Tomografia sísmica com fontes naturais
Para analisar os dados coletados, os pesquisadores recorreram à tomografia sísmica. Essa é uma técnica usada para medir eventos sísmicos próximos à superfície da Terra, permitindo gerar uma imagem do subsolo a partir de ondas registradas por sensores na superfície. Além disso, o método funciona de maneira semelhante a uma tomografia médica, mas, em vez de raios-X, utiliza ondas sísmicas para reconstruir a estrutura interna do solo.
No experimento, as ondas sísmicas produzidas por tempestades — os trovãomotos — foram usadas como uma nova fonte para gerar imagens do interior da Terra. Em seguida, as imagens geradas durante o teste experimental da nova tecnologia foram apresentadas no estudo, demonstrando a viabilidade da abordagem.
Portanto, tempestades deixam de ser vistas apenas como um fenômeno atmosférico e passam a ser consideradas também uma ferramenta para o imageamento geológico.
Detalhes da publicação
O artigo intitulado “Imageamento do subsolo da Terra com ondas sísmicas geradas por tempestades” foi escrito por Nolan Roth, Donggeon Kim, Rafal Czarny, Young Cheol Kim, Christelle Wauthier e Tieyuan Zhu. Ademais, o trabalho foi publicado na revista Science Advances, no volume 12, edição 34, com DOI 10.1126/sciadv.aeg8096.
A pesquisa foi divulgada pelo Site Inovação Tecnológica, e as imagens que acompanham o estudo trazem créditos para Nolan Roth e colaboradores. Além disso, uma das imagens, obtida via Pixabay, ilustra a ideia central: as ondas sísmicas produzidas por tempestades, os trovãomotos, são usadas como uma nova fonte para gerar imagens do interior da Terra.
Em resumo, o estudo representa um passo importante para o uso de fontes naturais e infraestrutura urbana na exploração geofísica, um campo em constante evolução.
Fonte
- www.inovacaotecnologica.com.br
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