O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em entrevista aos jornalistas Renata Vasconcellos e Cesar Tralli, que seu filho e o ex-chefe de gabinete Marcola responderão por eventuais erros perante a Justiça, sem qualquer interferência da Presidência da República. A fala ocorre em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suspeitas de tráfico de influência e relação com lobistas para obter acesso ao governo.
Durante a conversa, Lula classificou as acusações contra seu filho como “ilações” e as comparou às que enfrentou na Operação Lava Jato, que o levaram à prisão. O presidente reforçou que não fará “um milímetro de movimento” para proteger familiares ou ex-assessores, e que cada um deve provar sua inocência.
Investigações miram tráfico de influência e lobistas
Os dois — o filho do presidente e Marcola — são investigados pela Polícia Federal e pelo STF por suspeitas de tráfico de influência e relação com lobistas para ter acesso ao governo. A fonte não detalhou o estágio atual dos procedimentos, mas as apurações envolvem a atuação de intermediários junto a órgãos públicos. O caso ganhou repercussão após a revelação de encontros e encaminhamentos feitos no Palácio do Planalto.
Lula, porém, minimizou o teor das acusações. Para ele, trata-se de narrativa semelhante à que marcou a Lava Jato, quando foi acusado de possuir bens que, segundo afirmou, nunca existiram. A comparação, repetida ao longo da entrevista, serviu para desqualificar as suspeitas atuais e apontar o que chamou de perseguição midiática e judicial.
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Filho deve provar inocência, diz presidente
Questionado diretamente sobre o filho, Lula foi enfático: “Só ele sabe a verdade. Se ele fez o erro, ele pagará e ele tem que provar a inocência dele. Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento. Se ele for culpado, pagará o preço e meu filho será investigado como qualquer cidadão brasileiro”, completou o presidente. A declaração sinaliza que o governo não atuará para blindar o familiar, deixando o caso a cargo das autoridades competentes.
A fala também responde a críticas de que o Planalto poderia interferir nas investigações. Lula reforçou que a conduta de seu filho será avaliada pelos órgãos de controle, sem privilégios. A fonte não detalhou se o presidente foi informado previamente sobre os desdobramentos do caso.
Marcola e o atendimento à lobista
Sobre Marcola, o presidente rebateu as suspeitas de envolvimento do ex-chefe de gabinete com a lobista Roberta Luchsinger. Segundo Lula, o simples fato de tê-la atendido no Gabinete não configura irregularidade. “O papel dele é de que, qualquer pessoa que chegar na Presidência da República, encaminhar a um Ministério. Ela (Roberta) conseguiu liberar? Aí é que estaria o crime”, afirmou o presidente.
Na avaliação de Lula, o encaminhamento de demandas a ministérios é atribuição rotineira do cargo. O crime, para ele, só se configuraria se houvesse obtenção de vantagem indevida ou liberação de pleitos específicos. A fonte não detalhou se Roberta Luchsinger obteve algum benefício concreto a partir dos contatos.
Paralelo com a Lava Jato e críticas a Moro
Lula repetiu que foi vítima “da maior mentira montada nesse País”, em comparação com a Lava Jato, liderada pelo senador e ex-ministro Sergio Moro (PL), candidato a governador do Paraná, e o ex-procurador e deputado federal cassado Deltan Dallagnol. Para o presidente, as acusações atuais seguem o mesmo roteiro de ilações sem provas.
“Moro e Deltan Dallagnol são mentirosos e a imprensa comprou e vendeu mentira. A imprensa brasileira produziu monstro mentiroso”, completou. A declaração reacende o embate entre o petista e os protagonistas da operação que o condenou e depois teve sentenças anuladas pelo STF.
Repercussão e próximos passos
As declarações de Lula devem repercutir no meio político e jurídico, especialmente porque envolvem investigações em curso no STF. A fonte não detalhou se haverá manifestação formal da defesa do filho do presidente ou de Marcola. O caso segue sob sigilo, e novas informações podem surgir conforme o andamento das apurações.
Enquanto isso, o presidente mantém o discurso de que não interferirá e de que confia na Justiça para esclarecer os fatos. A comparação com a Lava Jato, porém, indica que Lula pretende usar o caso para reforçar sua narrativa de perseguição política, mirando especialmente Sergio Moro e Deltan Dallagnol.
Fonte
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