Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora os termos sejam frequentemente usados de forma intercambiável, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global. Entender essas diferenças é essencial para compreender os debates atuais sobre segurança de suprimentos e desenvolvimento industrial.
O que são terras raras?
Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos, escândio e ítrio. Apesar do nome, não são necessariamente raros na crosta terrestre, mas sua extração e refino são complexos e concentrados em poucos países. Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.
Minerais críticos e estratégicos
Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento. Já os minerais estratégicos têm importância para a segurança nacional ou econômica de um país. No Brasil, a lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento interno foi publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia. Os minerais estratégicos são divididos em três grupos.
Grupo 1: Minerais que precisam ser importados
- Enxofre
- Minério de fosfato
- Minério de potássio
- Minério de molibdênio
Grupo 2: Minerais com vantagem comparativa e superávit na balança comercial
- Minério de alumínio
- Minério de cobre
- Minério de ferro
- Minério de grafita
- Minério de ouro
- Minério de manganês
- Minério de nióbio
- Minério de urânio
Grupo 3: Demais minerais estratégicos
A fonte não detalhou os minerais do terceiro grupo.
Brasil: segunda maior reserva de terras raras
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa aproximadamente 23% das reservas globais, segundo o USGS. A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Apesar desse potencial, a cadeia produtiva desses minerais envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil.
Geopolítica das terras raras
A China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras. Estados Unidos e União Europeia buscam diversificar fornecedores, e o Brasil aparece como um ator relevante nesse cenário. No entanto, o país enfrenta desafios históricos.
O professor de Geografia da UFF, Luiz Jardim Wanderley, especialista na interseção entre política, economia e mineração, afirma: “O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”.
A exploração desses recursos gera impactos significativos nos lugares onde ocorre. A dependência de importação de tecnologia e a falta de industrialização interna são pontos críticos para o desenvolvimento do setor no Brasil.