A Rússia enviou o sistema de mísseis balísticos de alcance intermediário Oreshnik para a Bielorrússia. O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa russo na terça-feira.
As primeiras imagens do sistema de armas com capacidade nuclear em serviço ativo foram divulgadas pelo órgão. Elas mostram veículos de combate móveis transportando os mísseis durante exercícios de treinamento de combate.
O movimento reforça a presença militar russa em território aliado, em um contexto de tensões regionais persistentes.
Anúncio oficial e chegada confirmada
O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, declarou em 18 de dezembro que o Oreshnik havia chegado ao país no dia anterior. Ele afirmou que até 10 sistemas de mísseis deste tipo seriam estacionados na Bielorrússia.
O presidente russo Vladimir Putin já havia afirmado, em 17 de dezembro, que o Oreshnik entraria em serviço de combate antes do final do ano. As declarações dos dois líderes confirmam a rápida implantação do equipamento.
Coordenação militar
O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, acrescentou que Moscou já equipou uma brigada com os mísseis em 2025. Essas informações destacam o caráter operacional do sistema, que agora está visivelmente ativo na região.
A sequência de anúncios sugere uma coordenação estreita entre os governos russo e bielorrusso para o desdobramento militar.
Características técnicas do sistema
Oreshnik, que em russo significa “aveleira”, é um míssil balístico de alcance intermediário. O Departamento de Defesa dos EUA identifica o Oreshnik como uma variante do RS-26 Rubezh.
O Pentágono descreve o sistema como “experimental” e baseado no programa de mísseis balísticos intercontinentais RS-26 da Rússia, que teria sido desativado em 2018.
Especificações e alcance
- Estima-se que o míssil tenha entre 15 e 18,5 metros de comprimento.
- Diâmetro de cerca de 1,9 metros.
- Montado em um transportador móvel e em um lançador para ser rapidamente utilizado e ocultado.
- Os mísseis de alcance intermediário, como este, têm um alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.
Armas semelhantes foram proibidas ao abrigo do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), que Washington e Moscou abandonaram em 2019.
Afirmação sobre capacidade
Putin afirmou que as ogivas do Oreshnik “não podem ser interceptadas”, ressaltando uma suposta vantagem tecnológica. Essa característica, se confirmada, poderia alterar cálculos estratégicos na região.
A fonte não detalhou os mecanismos específicos por trás dessa afirmação.
Contexto das negociações de paz
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy em seu resort na Flórida no domingo. Durante o encontro, Trump afirmou que Kiev e Moscou estavam “mais perto do que nunca” de um acordo de paz.
Essa declaração otimista contrasta com a realidade das divisões persistentes entre os dois países.
Divisões fundamentais
Moscou e Kiev continuam profundamente divididos em questões fundamentais. Os impasses incluem:
- As exigências da Rússia sobre a região oriental da Ucrânia, o Donbas.
- O destino da central nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia.
Esses impasses complicam qualquer avanço significativo nas conversas. Portanto, o desdobramento do Oreshnik na Bielorrússia pode ser visto como um movimento de pressão adicional nesse cenário.
Implicações para a segurança regional
A instalação do sistema Oreshnik na Bielorrússia representa um reforço das capacidades ofensivas russas em proximidade com a União Europeia e a Ucrânia.
O alcance intermediário dos mísseis permite cobrir vastas áreas da Europa Oriental. Isso aumenta preocupações sobre dissuasão e estabilidade.
Riscos e contexto histórico
A capacidade nuclear atribuída ao sistema eleva os riscos associados a qualquer escalada de conflito. A decisão de abandonar o Tratado INF em 2019 por ambas as potências abriu caminho para o desenvolvimento e implantação de armas como o Oreshnik.
Esse contexto histórico ajuda a entender por que tais sistemas voltaram a ser destacados. Assim, a movimentação atual reflete uma nova fase na corrida armamentista regional, com impactos diretos na geopolítica.
Demonstração estratégica
As imagens divulgadas pelo Ministério da Defesa russo, mostrando os veículos em exercícios florestais, servem tanto como demonstração de força quanto como mensagem estratégica. Elas confirmam que o sistema não está apenas armazenado, mas em treinamento ativo.
Consequentemente, a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, enquanto as negociações de paz seguem seu curso incerto.
