Redação do Site Inovação Tecnológica – 24/04/2026
Pesquisadores demonstraram como alterar remotamente a rigidez de um material utilizando ondas sonoras. A técnica, baseada em dobras mecânicas, pode levar a equipamentos de proteção, músculos robóticos e implantes médicos que ajustem sua rigidez sob demanda.
Como o som altera a rigidez
O material responde a frequências específicas de ondas acústicas, alterando regiões específicas — as dobras mecânicas — que determinam se diferentes áreas do material são macias ou rígidas. Essas dobras funcionam como limites entre dois estados internos distintos. Em ambos os lados de uma dobra, o material pode ser composto pelos mesmos átomos ou blocos de construção, mas esses blocos ficam orientados de maneira diferente em três dimensões.
Essa mudança sutil pode levar a propriedades mecânicas muito diferentes, pois as dobras mecânicas marcam onde o material se deforma. Elas aparecem, por exemplo, onde os metais se dobram permanentemente ou onde as cadeias de DNA se separam. Controlar as dobras mecânicas dá o poder de remodelar todo o comportamento de um material.
Demonstração com metamaterial
Kai Qian e colegas de uma equipe internacional idealizaram um modo de mover uma dobra mecânica de forma controlada usando ondas sonoras. Para demonstrar, eles modelaram um material sintético, um metamaterial, cujo comportamento é ditado por sua estrutura, e não por sua composição. Mover a dobra não consome energia — uma propriedade incomum, rara e muito útil.
Apesar das aparências, esta é uma demonstração de um metamaterial 2D. A próxima etapa será construir uma versão 3D. Para demonstrar o mecanismo, a equipe construiu um modelo experimental composto por uma cadeia de discos empilhados e giratórios, conectados por molas. Cada disco representa um meta-átomo do metamaterial, enquanto as molas simulam as ligações atômicas.
Próximos passos da pesquisa
Os próximos passos incluirão a construção de versões tridimensionais do sistema modelo, estudar se efeitos semelhantes existem em escalas menores (até mesmo atômicas) e encontrar meios de permitir puxar as dobras mecânicas, e não apenas empurrá-las.
