Santander: lucro projetado de até R$3,9 bi
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Balanço do 2º trimestre chega em meio a expectativas cautelosas

O Santander Brasil (SANB11) divulga os resultados do segundo trimestre de 2024 nesta quarta-feira, 28 de agosto. O mercado fica atento, porque o primeiro trimestre já mostrou piora do ROE e aumento da inadimplência.

Como prévia, o Grupo Santander reportou que a operação brasileira gerou lucro líquido de R$ 3,6 bilhões. Esse valor representa:

  • Queda de 3% em relação ao 1º trimestre de 2024
  • Avanço de 3% em relação ao 2º trimestre de 2023

Agora, os investidores esperam os detalhes locais para compreender a dinâmica de cada linha de negócio e o impacto do cenário macroeconômico mais desafiador.

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Projeções de lucro mostram divergência significativa

As estimativas para o lucro do Santander no trimestre apresentam grande dispersão entre as casas de análise. Confira os principais números:

  • Genial Investimentos: lucro de R$ 3,74 bilhões, com leve alta de 0,3% em relação ao 1T24 e crescimento de 4% na base anual.
  • Bank of America (BofA): projeção mais otimista de R$ 3,9 bilhões, o que representaria alta de 6% frente ao 2T23 e de 2% sobre o trimestre anterior.
  • Outra corretora (não identificada pela fonte): estimativa de apenas R$ 3,3 bilhões, com queda de 7,7% na comparação anual e ROE de 14% (recuo de 2,4 pontos percentuais).

Essa divergência reflete premissas diferentes sobre o crescimento da carteira, o nível de provisionamento e a evolução das receitas.

Carteira de crédito deve crescer, mas com foco na alta renda

A XP Investimentos projeta expansão da carteira de crédito entre 4% e 5% na base anual. Esse crescimento será puxado, principalmente, pelos segmentos voltados à população de renda mais alta:

  • Crédito imobiliário
  • Cartões de crédito
  • Financiamento de veículos

Por outro lado, o crédito consignado segue restrito. A baixa originação de empréstimos do INSS e as operações de consignado privado são insuficientes para contrabalançar a retração. A XP ainda alerta que a qualidade dos ativos deve permanecer sob pressão, mesmo com a inadimplência em estágio inicial beneficiada por fatores sazonais recentes.

Provisões e custo do risco preocupam analistas

O aumento das provisões para crédito é considerado o ponto mais sensível do balanço. A expectativa é de alta no volume provisionado em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelas novas regras de baixa contábil. Essas regras impactam principalmente:

  • Carteiras de cartões de crédito
  • Pequenas e médias empresas (PMEs)
  • Segmento de atacado (pressão adicional)

Assim, o custo do risco deve ser o principal obstáculo para o Santander neste trimestre, segundo analistas.

A Genial reforça essa leitura, citando baixo crescimento do crédito, aumento das despesas com provisões e leve compressão da rentabilidade. A corretora também aponta riscos baixistas para as estimativas, associados a maiores provisionamentos, enfraquecimento do cenário macroeconômico e às mudanças na política de baixa contábil.

Seguros, consórcios e mercado de capitais dão suporte

Em meio ao cenário difícil, algumas receitas devem resistir. Entre elas:

  • Seguros e consórcios: tendem a se manter robustos, compensando parcialmente a pressão em outras áreas.
  • Mercado de capitais: a retomada da atividade, combinada com disciplina de custos e uma alíquota de imposto um pouco menor, deve dar suporte adicional ao resultado.

Esses fatores ajudam a contrabalançar os impactos negativos da carteira de crédito e das provisões, segundo analistas.

ROE em queda, mas meta ambiciosa para 2027 segue no radar

A Genial projeta um ROE de 15,7% para o 2º trimestre. Isso representaria:

  • Queda de 0,3 ponto percentual em relação ao 1T24
  • Queda de 0,7 ponto percentual em relação ao 2T23

Apesar da compressão no curto prazo, a corretora mantém otimismo para o futuro e acredita que o banco possa alcançar um ROE próximo de 20% em algum trimestre de 2027. O balanço desta quarta-feira é visto como crucial para avaliar se o Santander está no caminho para atingir essa meta, considerando os desafios regulatórios e macroeconômicos.

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