Produção global de biocombustíveis crescerá 70% até 2030
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A produção global de biocombustíveis deve crescer quase 70% até 2030, segundo um estudo divulgado nesta semana. O levantamento, elaborado em parceria pelo think tank Chatham House, com sede em Londres, e pelo grupo de certificação sem fins lucrativos Forest Stewardship Council (FSC), atribui o avanço à crise no Golfo Pérsico, que elevou os preços dos combustíveis fósseis e levou diversos países a adotarem metas mais ambiciosas de mistura de etanol e biodiesel.

O documento destaca que a busca por segurança energética no curto prazo pode ter consequências indesejadas no médio prazo, especialmente para a segurança alimentar. A seguir, os principais pontos do estudo e o cenário que se desenha para o setor.

O que impulsiona a expansão dos biocombustíveis

Biocombustíveis como o etanol podem ser produzidos a partir de diversas matérias-primas, como cana-de-açúcar e grãos. Eles são comumente misturados à gasolina ou ao diesel e se tornam mais competitivos à medida que os preços dos combustíveis fósseis aumentam. Desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, os preços do petróleo subiram quase 40%, enquanto os preços do açúcar e do milho registraram alta de cerca de 20%.

Esse cenário de preços elevados torna a produção de biocombustíveis mais atraente economicamente, incentivando investimentos e políticas de incentivo. Países como Brasil, China, Índia, Indonésia e Estados Unidos, juntamente com a União Europeia, propuseram ou adotaram metas mais altas de mistura de biocombustíveis desde o início da guerra no Irã. A fonte não detalhou quais são essas metas específicas, mas o movimento conjunto indica uma tendência global de substituição parcial dos derivados de petróleo.

Além do fator econômico, a busca por autonomia energética em um contexto de instabilidade geopolítica no Golfo Pérsico tem acelerado a transição para fontes renováveis. No entanto, o estudo ressalta que essa aceleração pode trazer riscos que precisam ser considerados com cautela.

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O dilema entre energia e alimentos

Esses combustíveis há muito tempo estão no centro do debate sobre se ajudam a combater as mudanças climáticas ou se contribuem para a inflação dos preços dos alimentos e o desmatamento. O estudo do Chatham House e do FSC reforça essa preocupação, alertando que a expansão rápida da produção pode intensificar a competição por terras agrícolas e matérias-primas.

“Ao priorizar a segurança energética no curto prazo, algumas medidas políticas podem estar comprometendo a segurança alimentar no médio prazo (e) qualquer choque adicional, como condições climáticas extremas, poderia afetar gravemente os preços dos alimentos”, afirmaram os autores do estudo. A declaração destaca a vulnerabilidade do sistema alimentar global diante de uma demanda crescente por biocombustíveis.

O alerta é particularmente relevante para países que dependem de importações de alimentos básicos, como milho e açúcar, cujos preços já subiram cerca de 20% desde o início do conflito. A fonte não detalhou projeções específicas de impacto nos preços, mas o estudo sugere que a pressão deve continuar enquanto as metas de mistura forem ampliadas.

Impactos ambientais e a questão do desmatamento

Além da segurança alimentar, o estudo aborda os impactos ambientais dos biocombustíveis, especialmente os de primeira geração, produzidos a partir de culturas como cana-de-açúcar e milho. Os autores afirmaram que matérias-primas cultivadas em terras degradadas ou na segunda safra podem ajudar a reduzir a degradação do solo e até mesmo restaurá-lo, mas esse não é normalmente o caso dos biocombustíveis convencionais, ou de primeira geração, segundo os autores do estudo.

Isso significa que a expansão da produção pode levar ao desmatamento de novas áreas, especialmente em regiões tropicais, para atender à demanda crescente. O estudo não apresenta números específicos sobre desmatamento projetado, mas ressalta que a certificação e práticas sustentáveis são essenciais para mitigar esses riscos.

O FSC, como grupo de certificação, defende que critérios rigorosos de manejo florestal e uso da terra podem ajudar a garantir que a produção de biocombustíveis não cause danos ambientais irreversíveis. No entanto, a adoção desses padrões ainda é voluntária e varia entre os países.

O papel dos países emergentes e desenvolvidos

A lista de países que propuseram ou adotaram metas mais altas de mistura inclui tanto economias emergentes quanto desenvolvidas. Brasil, China, Índia, Indonésia e Estados Unidos, juntamente com a União Europeia, estão entre os principais atores nesse movimento. Cada um tem realidades distintas em termos de matérias-primas disponíveis e capacidade de produção.

O Brasil, por exemplo, possui longa tradição na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, enquanto os Estados Unidos baseiam sua produção principalmente no milho. A Indonésia tem investido em biodiesel de óleo de palma, e a China e a Índia buscam diversificar suas fontes para reduzir a dependência de importações de petróleo. A fonte não detalhou as metas específicas de cada país, mas o estudo indica que a tendência é de aumento generalizado.

Essa diversidade de abordagens pode gerar diferentes impactos ambientais e sociais, dependendo das práticas agrícolas adotadas. O estudo sugere que políticas coordenadas internacionalmente poderiam ajudar a alinhar os objetivos de segurança energética com a proteção ambiental e a segurança alimentar.

Perspectivas para o futuro

O crescimento projetado de quase 70% na produção global de biocombustíveis até 2030 representa uma mudança significativa no panorama energético mundial. No entanto, o estudo alerta que essa expansão não deve ocorrer sem uma avaliação cuidadosa dos trade-offs envolvidos.

Os autores enfatizam a necessidade de políticas que incentivem biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de resíduos agrícolas ou culturas em terras degradadas, que apresentam menor impacto sobre a produção de alimentos e o meio ambiente. A fonte não detalhou quais tecnologias ou políticas específicas seriam mais eficazes, mas o estudo aponta para a importância de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Enquanto isso, a volatilidade dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas no Golfo Pérsico devem continuar influenciando as decisões dos governos. A busca por alternativas renováveis é vista como uma estratégia para reduzir a vulnerabilidade energética, mas o equilíbrio com outras prioridades globais permanece um desafio.

O estudo completo está disponível para consulta pública, segundo os autores, e deve servir como base para debates futuros sobre políticas energéticas e agrícolas. A fonte não detalhou a data de publicação ou o link de acesso.

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