Os juros futuros fecharam em queda nesta segunda-feira, com as taxas médias e longas renovando mínimas ao longo da sessão. O movimento foi impulsionado por um ambiente externo mais otimista, pelo recuo do petróleo e pelo cenário eleitoral doméstico apertado, que segue no radar dos investidores. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031, por exemplo, recuou de 14,035% para 13,880%, consolidando o fechamento abaixo do patamar de 14%.
Exterior favorável e petróleo em queda
O principal vetor de alívio veio do exterior. O recuo mais forte do petróleo aliviou as curvas de juros globais, reduzindo as pressões inflacionárias esperadas. Além disso, sinais de reaproximação entre Estados Unidos e China contribuíram para um maior apetite por risco nos mercados internacionais. Esse cenário externo benigno ajudou a ancorar as taxas futuras no Brasil, que acompanharam a tendência global de queda. A fonte não detalhou a magnitude da queda do petróleo, mas o efeito foi sentido em toda a estrutura a termo.
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Cenário eleitoral no foco local
No âmbito doméstico, o cenário eleitoral seguiu como pano de fundo relevante. Ainda que as pesquisas não tenham apontado novidades – a BTG/Nexus desta segunda trouxe o presidente Lula e Flávio tecnicamente empatados – o mercado tem olhado mais plataformas de apostas do exterior, nota Espirito Santo. Essa mudança de foco reflete a busca por sinais mais imediatos de probabilidades eleitorais, em detrimento das pesquisas tradicionais. O noticiário político, portanto, seguiu influenciando as expectativas dos agentes financeiros, ainda que de forma indireta.
Noticiário do STF e efeito risk on
Outro fator doméstico que ajudou no movimento de “risk on” foi o noticiário envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo um profissional, o noticiário sobre o STF, relacionado à Lula por parte do eleitorado, também ajudou no movimento de “risk on”.
No domingo (20), imagens reveladas pelo jornal O Globo mostraram o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de uma aeronave da Prime You, empresa ligada a Daniel Vorcaro, em 22 de agosto de 2025. Já nesta tarde, circularam no X relatos de mensagens na qual Vorcaro falava que “não dá para confiar” no ministro André Mendonça, e que teria tentado dialogar com ele, “mas não deu certo”. “Só fala em Deus”, teria criticado o banqueiro.
Esses eventos, embora não diretamente econômicos, influenciaram a percepção de risco político, contribuindo para a queda das taxas.
Fechamento dos contratos de DI
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,554% no ajuste anterior a 13,550%, praticamente estável. Já o DI para janeiro de 2029 atingiu a mínima intradia de 13,675%, ante 13,831% no ajuste de sexta-feira (18). O DI para janeiro de 2031 teve baixa de 14,035% para 13,880%, confirmando a tendência de queda nas taxas mais longas.
As taxas médias e longas renovaram mínimas rumo ao fim da sessão, também de olho na crise do STF, mas a maior ajuda no dia veio de fora.
Boletim Focus e expectativas para Selic
Por fim, o boletim Focus trouxe queda na mediana de estimativas para a Selic terminal neste ano, de 13,75% para 13,50%, indicando que o mercado passou a projetar mais um corte em novembro, de 0,25 ponto porcentual. Essa revisão reflete a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para afrouxar a política monetária diante do cenário externo mais benigno e da dinâmica inflacionária. A mudança nas projeções reforçou o movimento de baixa nos juros futuros, especialmente nos vértices mais longos.
A fonte não detalhou os motivos específicos da revisão, mas o contexto geral aponta para uma postura menos restritiva à frente.
Fonte
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