A Porto e a Oncoclínicas assinaram um memorando de entendimentos na última semana. O acordo inicia uma negociação de 30 dias para criar uma nova empresa.
Confirmado em fato relevante no domingo (15), o plano prevê que a nova companhia fique com as 150 clínicas da rede. Essas unidades são consideradas o principal negócio da Oncoclínicas.
Enquanto isso, a atual Oncoclínicas manterá hospitais e uma unidade no exterior. A estrutura desenhada remete mais à venda desse ativo, com um passivo menor, do que à simples formação de uma joint venture.
Estrutura do negócio e controle da Porto
Pelo plano apresentado, a nova empresa terá a Porto como principal acionista. A seguradora fará um aporte de R$ 500 milhões, subscrevendo ações ordinárias.
Esse montante é suficiente para garantir o controle do capital votante. Além disso, a estrutura prevê que a nova companhia emita outros R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações.
Detalhes do investimento
Esses títulos de dívida ficarão nas mãos da Porto. Eles serão conversíveis em 48 meses e remunerados a 110% do CDI.
A Porto tem interesse nas clínicas oncológicas da Oncoclínicas. Elas atendem sua base de clientes na vertical de planos de saúde – a Porto Saúde – a custos mais competitivos.
Por outro lado, a seguradora prefere não se associar ao CNPJ que carrega os problemas financeiros da Oncoclínicas. Isso explica a busca por uma estrutura que isole o ativo desejado.
Essa movimentação é considerada pouco usual para o grupo da família Garfinkel, controlador da Porto.
Separação de ativos e passivos problemáticos
Enquanto a nova empresa ficará com as clínicas, a atual Oncoclínicas manterá:
- Os hospitais – atualmente já à venda
- A unidade na Arábia Saudita
São negócios que, diferentemente das clínicas, hoje mais queimam recursos do que geram caixa. No entanto, um ponto crucial pouco detalhado no fato relevante é a transferência de dívidas.
Questão da dívida
O documento menciona que “um determinado montante do endividamento da Oncoclínicas seria transferido à nova empresa”. Isso representa o principal ponto de insegurança para investidores.
Há uma expectativa, de acordo com o Brazil Journal, de que credores poderiam migrar parte da dívida para a nova companhia. No entanto, isso não foi esclarecido oficialmente.
A avaliação de acionistas da empresa era a de que havia uma solução a ser negociada com os credores. Eles necessitavam de “um cronograma [de pagamentos] mais alongado”.
Mudanças na liderança financeira
No mesmo domingo em que confirmou o memorando, a Oncoclínicas anunciou o pedido de renúncia de Camille Faria. Ela havia chegado à empresa de saúde no começo de fevereiro com uma espécie de supercargo.
Faria estava à frente de diretorias corporativas e de negócios. Seu currículo inclui o comando da Americanas em seu processo de recuperação judicial e, antes disso, da Oi na mesma situação.
Substituição no comando
Sua contratação foi motivada pela experiência nessa frente. A necessidade era de uma solução negociada com credores.
Em seu lugar, assumiu como CFO (Chief Financial Officer) interino o executivo Vieira, sócio da Latache. Essa gestora é a segunda maior acionista da Oncoclínicas, com mais de 14% do capital social.
A mudança ocorre no momento em que a empresa busca reestruturar suas operações e dívidas.
Próximos passos e expectativas do mercado
As empresas terão 30 dias de exclusividade para negociar os termos finais da transação. O modelo proposto visa criar uma empresa mais enxuta, focada nas clínicas que são a “joia da coroa” do negócio original.
Enquanto isso, a estrutura antiga lidará com ativos menos rentáveis. A operação, se concretizada, pode representar:
- Um alívio para o passivo da Oncoclínicas
- Uma expansão estratégica para a Porto no setor de saúde
Desafios pendentes
Contudo, a falta de clareza sobre o montante da dívida a ser transferida permanece como uma incógnita para o mercado. O sucesso do acordo dependerá dos detalhes financeiros a serem acertados nas próximas semanas.
Isso inclui a negociação com credores. Enquanto isso, as partes seguem em conversas para definir o futuro dessa parceria atípica no setor.