Os índices de gerentes de compras (PMIs) industriais da Europa revelam um cenário de incerteza generalizada, com a guerra contaminando as expectativas de empresas e consumidores. Enquanto França e Reino Unido registraram avanços, impulsionados por antecipação de compras e formação de estoques preventivos, a Alemanha enfrenta uma contração na manufatura. A inflação de custos acelera em ambos os lados, com repasses agressivos de preços.
Avanço em França e Reino Unido
Os PMIs industriais de França e Reino Unido avançaram em abril, apontando para uma antecipação de compras visando estoques preventivos. Esse movimento reflete a tentativa das empresas de se protegerem contra possíveis escassez e aumentos de preços. No Reino Unido, os dados preliminares indicaram que o crescimento da atividade empresarial voltou a ganhar impulso no setor privado, após atingir uma mínima de seis meses em março. Isso foi sustentado por altas moderadas tanto na produção industrial quanto na atividade do setor de serviços.
Alemanha em contração
A manufatura alemã atravessa um momento delicado, com a atividade em abril tendo caído pela primeira vez em um ano. O PMI Composto caiu de 48,8 em março para 47,6 em abril, seu nível mais baixo desde fevereiro de 2025. A atividade econômica agregada foi puxada para baixo pelo setor de serviços, com a cautela dos clientes nesse segmento contribuindo para a queda mais rápida dos volumes de vendas, no nível composto, em um ano.
Inflação de custos acelera
As empresas foram mais agressivas na definição de preços em abril, ao tentar repassar parte do aumento de custos aos clientes. As taxas de inflação nos preços de saída de serviços e manufatura foram as mais altas em 35 e 39 meses, respectivamente. O Índice de Preços de Insumos para a indústria ficou mais de 13 pontos acima da medida equivalente para serviços. Custos mais altos de energia, combustível, transporte, produtos químicos e metais foram frequentemente mencionados pelos participantes.
Pedidos antecipados e estoques
Pedidos antecipados de clientes, diante da expectativa de escassez e aumento de preços, impulsionaram novas expansões nas vendas das fábricas, na atividade de compras e nos estoques. O crescimento da produção industrial se recuperou, alcançando uma máxima de 50 meses, à medida que a formação de estoques de segurança pelos clientes levou as encomendas às fábricas a voltarem a crescer pela primeira vez em quase quatro anos.
Pressões de custos no Reino Unido
A inflação de custos de insumos continuou a acelerar de forma acentuada e atingiu o nível mais alto desde novembro de 2022. Isso foi liderado por um rápido aumento nos preços de matérias-primas no setor industrial. As empresas de serviços também enfrentaram um forte aumento das pressões de custo, em grande parte devido aos preços mais altos dos combustíveis. A aceleração da inflação de custos no setor de serviços desde março foi a maior para um único mês desde o início desse índice, em julho de 1996.
Confiança abalada
Custos de transporte mais altos, juntamente com a menor confiança de empresas e consumidores, foram amplamente reportados no Reino Unido como fatores que limitam a demanda dos clientes. Mais da metade dos entrevistados (58%) reportou preços de insumos mais altos, enquanto apenas 2% registraram redução. Os esforços para repassar os custos mais altos levaram a novo aumento acentuado nos preços cobrados pelas empresas do setor privado em abril. A taxa de inflação foi a mais elevada desde fevereiro de 2023.
Serviços franceses em deterioração
Na avaliação de Joe Hayes, economista da S&P Global Market Intelligence, a economia de serviços francesa se deteriorou devido à menor disposição para gastar – uma consequência típica da incerteza. Esse comportamento reflete o impacto da guerra nas expectativas dos consumidores e empresários.