Mercado fecha com ganhos leves
Os preços do petróleo encerraram a sessão desta segunda-feira (6) em alta, impulsionados por tensões geopolíticas persistentes. Os contratos mais líquidos do petróleo Brent para junho fecharam com alta de 0,68%, a US$ 109,77 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio subiram 0,77%, a US$ 112,41 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos Estados Unidos. Esses ganhos representam uma desaceleração em relação aos picos observados durante o pregão.
A volatilidade reflete a sensibilidade do mercado a cada notícia vinda da região. A seguir, os detalhes mostram como as negociações de paz influenciaram a trajetória dos preços.
Proposta de cessar-fogo é rejeitada
Posição dos Estados Unidos
Os Estados Unidos rejeitaram a proposta de mediadores para um acordo de cessar-fogo de 45 dias. A Casa Branca afirmou que o presidente americano Donald Trump recebeu a proposta, mas “não a aprovou”.
Posição do Irã
Por sua vez, a emissora estatal iraniana IRNA afirmou que o Irã também rejeitou a proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos. Após duas semanas de análises, Teerã enviou ao Paquistão uma resposta em dez pontos.
O documento inclui pedidos para:
- Fim dos confrontos na região
- Criação de um protocolo de trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz
- Pontos sobre reconstrução do país persa
- Suspensão de sanções internacionais
A rejeição mútua afastou, momentaneamente, a perspectiva de uma trégua.
Declarações de Trump intensificam alta
Em meio a esse impasse, o presidente americano Donald Trump reiterou que o Irã pode ser derrotado em apenas uma noite. Após as declarações, os preços do petróleo intensificaram os ganhos com alta de cerca de 2%.
Por volta de 14h45 (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do petróleo Brent para junho subiam 1,86%, a US$ 111,05 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
No mesmo horário, os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio tinham alta de 2,25%, a US$ 114 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
O tom mais assertivo das declarações presidenciais elevou a percepção de risco no mercado, pressionando os preços para cima. Logo depois, contudo, os preços arrefeceram os ganhos, em um movimento de correção.
Contexto de oferta e logística
Desafios logísticos
O cenário de tensão ocorre em um contexto já marcado por desafios na oferta de petróleo. A guerra fechou efetivamente o Estreito de Ormuz – a rota de petróleo mais importante do mundo – desde o final de fevereiro.
Além disso, a guerra cortou as exportações dos membros da Opep+ Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, reduzindo a disponibilidade do produto no mercado global.
Resposta da Opep+
Por outro lado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordou em aumentar suas cotas de produção de petróleo em 206 mil barris por dia para maio.
Essa decisão busca equilibrar o mercado, mas o impacto da medida pode ser limitado diante das interrupções logísticas. A combinação entre fatores geopolíticos e de oferta segue como o principal motor para as cotações.
Mercado segue atento aos desdobramentos
O fechamento em alta, ainda que moderada, reflete a cautela dos investidores diante de um cenário incerto. A rejeição da proposta de cessar-fogo e as declarações recentes indicam que a via diplomática enfrenta obstáculos significativos.
Enquanto isso, a interrupção no Estreito de Ormuz continua a representar um gargalo crítico para o fluxo global de petróleo. Os traders agora monitoram novos movimentos tanto dos governos envolvidos quanto da Opep+.
A decisão da Opep+ de aumentar a produção tenta amenizar a pressão sobre os preços. A volatilidade deve permanecer alta, com cada desenvolvimento político tendo potencial para causar flutuações bruscas.
O mercado de petróleo segue, portanto, refém das tensões no Oriente Médio.
