Pesquisas do CNPEM investigam metástases no câncer de mama
Crédito: medicinasa.com.br
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Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) estão investigando os mecanismos que levam o câncer de mama a se espalhar para outros órgãos, um processo conhecido como metástase. O trabalho busca compreender por que os tumores de mama respondem de maneiras diferentes aos tratamentos e como algumas células conseguem migrar para locais distantes do corpo.

A iniciativa é financiada pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de hospitais parceiros, como o CAISM/Unicamp, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e o A.C.Camargo Cancer Center.

Entendendo a metástase no câncer de mama

A metástase ocorre quando células cancerosas se desprendem do tumor original e viajam pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático para formar novos tumores em outros órgãos. No caso do câncer de mama, os locais mais comuns de metástase incluem ossos, pulmões, fígado e cérebro. A pesquisadora Sandra Dias, do CNPEM, explica que as pesquisas procuram compreender justamente essa variabilidade: “Nossas pesquisas no CNPEM procuram compreender por que os tumores de mama respondem de maneiras diferentes aos tratamentos e como algumas células conseguem se espalhar para outros órgãos”.

Essa heterogeneidade é um dos grandes desafios clínicos, pois pacientes com o mesmo tipo de tumor podem ter evoluções muito distintas. Enquanto alguns respondem bem à terapia e permanecem livres da doença por anos, outros desenvolvem metástases rapidamente, mesmo após tratamento agressivo. A compreensão dos fatores que determinam esse comportamento é essencial para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes.

Foco no cérebro: um desafio especial

Uma das linhas de pesquisa do CNPEM busca entender como as células do câncer de mama conseguem chegar ao cérebro. Esse órgão é protegido por uma barreira natural, a barreira hematoencefálica, que normalmente impede a passagem de substâncias e células do sangue para o tecido cerebral. No entanto, algumas células cancerosas conseguem atravessar essa proteção, um processo ainda pouco compreendido.

Para investigar esse fenômeno, os pesquisadores realizam experimentos em laboratório com um modelo capaz de reproduzir algumas características da barreira natural que protege o órgão. O objetivo é entender o processo de metástase e identificar os fatores que permitem às células cancerosas atravessar essa proteção. Esse conhecimento pode revelar alvos terapêuticos para impedir a formação de metástases cerebrais, que são particularmente difíceis de tratar.

A metástase cerebral é uma complicação grave do câncer de mama, associada a sintomas neurológicos como dores de cabeça, convulsões, alterações de memória e déficits motores. Atualmente, as opções de tratamento são limitadas, incluindo cirurgia, radioterapia e algumas terapias-alvo, mas a eficácia varia muito. Por isso, entender como as células cancerosas interagem com a barreira hematoencefálica é um passo crucial para desenvolver novas abordagens.

Parcerias e financiamento da pesquisa

O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde e conta com a participação de hospitais parceiros, como o CAISM/Unicamp, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e o A.C.Camargo Cancer Center. Essas instituições fornecem amostras de pacientes e expertise clínica, permitindo que os achados de laboratório sejam validados em contextos mais próximos da realidade clínica.

A colaboração entre centros de pesquisa e hospitais é fundamental para a pesquisa translacional, que busca levar descobertas do laboratório para a prática médica. No caso do CNPEM, a infraestrutura avançada de laboratórios e equipamentos de ponta, como o acelerador de partículas Sirius, pode ser utilizada para análises detalhadas de células e tecidos. Embora a fonte não tenha detalhado o uso específico dessas instalações no projeto, a integração entre ciência básica e clínica é um diferencial da iniciativa.

Perspectivas para tratamentos personalizados

No futuro, os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados. A ideia é que, ao entender os mecanismos moleculares que permitem a metástase, seja possível identificar biomarcadores que indiquem quais pacientes têm maior risco de desenvolver metástases cerebrais. Assim, seria possível direcionar terapias preventivas ou mais intensivas para esses casos.

No entanto, essa aplicação ainda depende da validação da tecnologia para essa finalidade. Isso significa que os achados de laboratório precisam ser confirmados em estudos clínicos com pacientes antes de serem incorporados à prática médica. Esse processo pode levar anos e envolve etapas rigorosas de teste e regulamentação.

A pesquisadora Sandra Dias ressalta a importância de entender a biologia do tumor para avançar no tratamento: “Nossas pesquisas no CNPEM procuram compreender por que os tumores de mama respondem de maneiras diferentes aos tratamentos e como algumas células conseguem se espalhar para outros órgãos”. Essa visão reforça a necessidade de abordagens individualizadas, que considerem as características específicas de cada tumor.

Enquanto os resultados não chegam à clínica, a pesquisa básica continua sendo essencial para desvendar os mecanismos da metástase. O conhecimento gerado pode abrir caminho para novas drogas, terapias combinadas e estratégias de prevenção secundária. A expectativa é que, com o avanço desses estudos, seja possível melhorar o prognóstico de pacientes com câncer de mama metastático, especialmente aqueles com metástases cerebrais, que hoje enfrentam opções limitadas de tratamento.

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