A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin para vender a CSN Cimentos em um negócio avaliado em R$ 12,7 bilhões em enterprise value, valor que inclui a dívida a ser assumida pelo comprador. O anúncio foi feito nesta quinta-feira e marca mais um passo na estratégia da siderúrgica de reduzir seu endividamento, que encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 42,1 bilhões. A operação, se concluída, transferirá o controle de uma das principais cimenteiras do país para o grupo asiático.
O acordo de exclusividade tem duração de 10 dias e tem como objetivo a assinatura dos documentos definitivos relativos à alienação das ações da CSN Cimentos. Segundo a companhia brasileira, a intenção é concluir a assinatura em questão de dias. A fonte não detalhou as condições contratuais ou eventuais cláusulas de desistência durante esse período.
Escolha da Huaxin no processo competitivo
A Huaxin foi selecionada por ter apresentado a proposta mais vantajosa no processo competitivo lançado em março de 2026. A CSN não divulgou os nomes dos demais concorrentes nem os critérios exatos de avaliação, mas destacou que a oferta da empresa chinesa se sobressaiu. A siderúrgica de Benjamin Steinbruch conduziu o processo com assessores financeiros e jurídicos, buscando maximizar o valor do ativo.
A CSN Cimentos é um dos principais players do setor no Brasil, com operações em diversas regiões e capacidade produtiva relevante. A venda para a Huaxin, que já atua no mercado brasileiro por meio de aquisições anteriores, pode consolidar ainda mais a presença da companhia chinesa na América Latina. A fonte não detalhou se haverá manutenção da marca ou da gestão atual após a conclusão do negócio.
Contexto de desinvestimentos da CSN
Este é o segundo grande negócio da CSN em poucas semanas. No início deste mês, a empresa vendeu a siderúrgica alemã Stahlwerk Thüringen (SWT) ao grupo espanhol Megasa por € 550 milhões. A operação faz parte da estratégia de desfazer ativos não essenciais para reduzir o endividamento, que encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 42,1 bilhões.
A venda da CSN Cimentos, se concretizada, representará uma injeção significativa de caixa e alívio no balanço da companhia. Analistas de mercado veem a movimentação como positiva para a redução da alavancagem financeira, embora a CSN não tenha detalhado o impacto exato nos indicadores de dívida. A fonte não detalhou se os recursos serão usados integralmente para abatimento de passivos ou se parte será destinada a investimentos.
Próximos passos e expectativas
Com o acordo de exclusividade vigente, as partes devem avançar rapidamente para a assinatura dos documentos definitivos. A CSN informou que a intenção é concluir a assinatura em questão de dias, o que sugere que as negociações já estão em estágio avançado. Após a assinatura, o negócio ainda dependerá de aprovações regulatórias, como as do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outros órgãos competentes.
A Huaxin, por sua vez, não se pronunciou publicamente sobre o acordo até o momento. A empresa chinesa tem expandido sua atuação global no setor de materiais de construção e já possui operações no Brasil, o que pode facilitar a integração. A fonte não detalhou se haverá necessidade de aprovação de acionistas da CSN ou de credores.
O mercado acompanha com atenção os desdobramentos, uma vez que a transação está entre as maiores do setor de cimentos no Brasil nos últimos anos. A conclusão bem-sucedida pode abrir caminho para novos movimentos de consolidação no setor, que tem atraído interesse de grupos estrangeiros. A CSN, por sua vez, mantém o foco em seu core business siderúrgico e na redução de passivos.
Fonte
- investnews.com.br
- acaba de fechar (www.rad.cvm.gov.br)
