O mercado de ações dos Estados Unidos está se movendo para além do horário tradicional de negociação. Dados da Securities and Exchange Commission (SEC) mostram que o volume financeiro negociado durante a madrugada chegou a US$ 7,4 bilhões por dia, uma alta anual de 249%. Ainda assim, essa faixa representa menos de 1% do volume total do mercado americano, mas o crescimento acelerado tem levado bolsas, corretoras e empresas de infraestrutura a rever um modelo que, por décadas, concentrou as operações em algumas horas do dia.
O movimento reflete uma demanda global por acesso contínuo aos mercados, impulsionada por investidores em diferentes fusos horários. A negociação noturna, embora incipiente, começa a alterar a dinâmica de Wall Street, tradicionalmente limitada ao pregão regular das 9h30 às 16h no horário de Nova York.
Volume noturno dispara 249% em um ano
De acordo com o levantamento da divisão de mercados e negociação da SEC, o valor financeiro movimentado nessa faixa chegou a US$ 7,4 bilhões por dia, alta anual de 249%. O dado evidencia um interesse crescente de investidores em operar fora do horário convencional, seja por conveniência ou por necessidade de reagir a eventos globais.
Embora ainda represente menos de 1% do volume total do mercado dos EUA, a negociação noturna está ganhando escala e levando bolsas, corretoras e empresas de infraestrutura financeira a rever um modelo de funcionamento que, durante décadas, esteve concentrado em algumas horas do dia. A tendência sugere que o mercado caminha para uma operação quase ininterrupta.
Investidores estrangeiros dominam a madrugada
Segundo dados apresentados pela SEC, contas classificadas como estrangeiras responderam por 37% do volume de ações negociadas durante a madrugada no segundo trimestre de 2026. A participação de investidores institucionais americanos foi de aproximadamente 7%. Esses números indicam que a demanda noturna é puxada principalmente por players internacionais, que buscam liquidez em horários compatíveis com seus mercados locais.
A presença reduzida de institucionais americanos nesse período pode refletir uma adaptação mais lenta desses agentes ao novo horário, ou uma preferência por operar no pregão regular. A fonte não detalhou os motivos dessa diferença.
Nasdaq planeja operar 23 horas por dia
De olho nessa demanda, a Nasdaq pretende começar a operar 23 horas por dia, cinco dias por semana, a partir de 6 de dezembro. A mudança prevê a abertura de uma nova sessão entre 21h e 4h, no horário de Nova York, com uma pausa diária de uma hora para manutenção e processamento de operações.
A iniciativa da Nasdaq é um passo significativo para consolidar a negociação noturna como parte integrante do mercado. Com isso, investidores terão quase um dia inteiro de acesso às ações listadas na bolsa, ampliando as possibilidades de execução de ordens.
Ripple e BNY ampliam parceria em ativos digitais
Em paralelo, o ecossistema financeiro também avança em outras frentes. Durante o Swell, a Ripple anunciou a ampliação de sua parceria com o BNY, um dos maiores bancos custodiantes do mundo, para expandir os serviços de custódia de ativos digitais e explorar aplicações da tokenização no mercado financeiro.
“Isso faz parte de uma tendência dos bancos de serem cada vez mais crypto-friendly no mercado de ativos digitais”, afirma Silvio Pegado, diretor-geral da Ripple para a América Latina, ao NeoFeed. A declaração reforça a aproximação entre instituições tradicionais e o universo cripto.
Tecnologia reduz etapas, mas não elimina regulação
Na visão do executivo, parte dessa economia de tempo viria da redução de etapas operacionais e intermediários envolvidos na movimentação internacional de recursos. A tecnologia, porém, não elimina as exigências regulatórias aplicáveis aos investimentos.
Assim, mesmo com a expansão dos horários de negociação e a digitalização de ativos, os participantes do mercado continuam sujeitos às normas vigentes. A evolução tecnológica caminha lado a lado com a necessidade de conformidade regulatória.
