Mudanças climáticas alteram estilo de vida na Groenlândia
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Uma tradição milenar em risco

Os caçadores de focas e pescadores inuítes têm sido puxados por cães em trenós pelo Ártico há mais de mil anos. Essa prática, no entanto, enfrenta agora um desafio sem precedentes devido às alterações climáticas.

Em Ilulissat, cidade localizada a cerca de 300 km ao norte do Círculo Polar Ártico, não tem sido possível usar trenós puxados por cães. O trenó puxado por cães é uma parte importante da cultura groenlandesa, mas as condições atuais estão forçando mudanças profundas.

Esta transformação reflete um impacto direto do aquecimento global em comunidades que dependem do gelo para sua subsistência e identidade.

O inverno que já não é o mesmo

Temperaturas em ascensão

As temperaturas no inverno em Ilulissat costumavam cair para cerca de −25 °C, criando um ambiente estável para o gelo e a neve. Agora, passam-se muitos dias acima de zero no inverno, com alguns dias atingindo até 10 °C.

Derretimento do permafrost

Este aumento das temperaturas está provocando o derretimento do permafrost, o solo permanentemente congelado que sustenta a região. Como resultado, os habitantes locais enfrentam uma viagem acidentada sobre terra e rochas, em vez de deslizarem suavemente sobre o gelo.

A mudança climática está, assim, redefinindo as estações e a paisagem do Ártico.

O testemunho de um campeão

Jørgen Kristensen, cofundador da Dogsled and Ice Academy e cinco vezes campeão de corridas de cães de trenó, vive de perto estas transformações. Ele relata que é a primeira vez que se lembra de não haver neve ou gelo na baía em janeiro, um fenômeno alarmante para a região.

Além disso, Jørgen Kristensen disse que nem sequer há neve suficiente ao longo do percurso para os cães beberem, o que complica ainda mais a prática tradicional.

Sua experiência ilustra como as alterações climáticas estão afetando não apenas o ambiente, mas também o bem-estar dos animais e das pessoas. Este cenário levanta questões sobre o futuro das atividades culturais na Groenlândia.

Impactos na subsistência e na mobilidade

As “grandes pontes” de gelo

As camadas de gelo geralmente funcionam como “grandes pontes”, ligando os groenlandeses às áreas de caça e a outras comunidades em todo o Ártico, no Canadá, nos Estados Unidos e na Rússia.

Consequências da falta de gelo

A falta de gelo, no entanto, impedia os habitantes locais de caçar, afetando sua segurança alimentar e economia. Há alguns anos, o governo da Groenlândia foi obrigado a fornecer ajuda financeira às comunidades que vivem no extremo norte da ilha devido à falta de gelo.

Sara Olsvig, presidente do Conselho Circumpolar Inuit, representa essas comunidades que lutam para se adaptar. Esta situação mostra como as alterações climáticas podem exigir intervenções governamentais para mitigar seus efeitos sociais.

Uma geleira em rápido desaparecimento

Sermeq Kujalleq

Nas proximidades de Ilulissat, a geleira Sermeq Kujalleq é uma das mais ativas e de movimento mais rápido do mundo. Segundo a NASA, a geleira Sermeq Kujalleq contribui significativamente para o aumento do nível do mar, um dado que preocupa cientistas globalmente.

Monitoramento e registros

O Icefjord Center, liderado por Karl Sandgreen, é dedicado a documentar a geleira Sermeq Kujalleq e seus icebergs, registrando as mudanças em tempo real. Impressionantemente, 40 quilômetros da geleira Sermeq Kujalleq já derreteram em menos de um século, evidenciando a velocidade das transformações.

Este derretimento acelerado serve como um alerta para os impactos globais das alterações climáticas.

Adaptação em meio à incerteza

À medida que o gelo desaparece, os groenlandeses enfrentam o desafio de preservar sua cultura enquanto se adaptam a novas realidades. A perda das “grandes pontes” de gelo não só isola comunidades, mas também ameaça práticas ancestrais como a caça com trenós.

Por outro lado, iniciativas como o Icefjord Center buscam educar e conscientizar sobre essas mudanças, oferecendo um registro histórico valioso. No entanto, a fonte não detalhou planos específicos de longo prazo para mitigar os efeitos sociais e econômicos.

O futuro do estilo de vida tradicional na Groenlândia permanece incerto, dependendo das ações globais contra o aquecimento.

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