O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) investiga o deputado estadual Douglas Ruas por suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração corre em sigilo e tem como base uma auditoria do governo interino do desembargador Ricardo Couto sobre contratos firmados quando Ruas era secretário das Cidades do ex-governador Cláudio Castro (PL). Testemunhas ouvidas pelo órgão afirmaram ter atuado no esquema ilícito, segundo informações divulgadas.
A investigação está em andamento e não há prazo para conclusão. Novas diligências podem ser realizadas, conforme apontou o MP-RJ. A defesa de Douglas Ruas não se manifestou além das declarações já divulgadas. O caso ganhou repercussão após a renúncia de Cláudio Castro ao cargo de governador, em meio ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Auditoria aponta irregularidades em contratos
A auditoria conduzida pelo governo interino de Ricardo Couto analisou contratos firmados durante a gestão de Ruas na Secretaria das Cidades. O levantamento serviu de base para a abertura da investigação pelo MP-RJ. O órgão também ouviu testemunhas que relataram participação no esquema ilícito. A fonte não detalhou o conteúdo dos depoimentos nem os valores envolvidos.
Em paralelo, a Controladoria-Geral do Estado do Rio avaliará a legalidade das medidas adotadas na gestão anterior. Caso sejam identificadas irregularidades, o governador será imediatamente comunicado para adotar medidas que evitem danos ao erário. O orçamento fluminense de 2026 prevê déficit de R$ 18 bilhões, o que aumenta a pressão por transparência na aplicação de recursos públicos.
Defesa nega irregularidades e cita empresa
Em resposta às acusações, Douglas Ruas afirmou: “Eu nunca respondi a nenhum processo criminal, tenho zero processos, nunca precisei contratar um advogado criminal pra responder por qualquer ato praticado à frente da gestão pública”. A declaração foi dada em meio à repercussão do caso. A defesa sustenta que as atividades empresariais do deputado são lícitas.
Em nota, Ruas afirmou que a “carteira de investimentos da Saur é definida exclusivamente pelo sócio-administrador da empresa e não pelo deputado”. O presidente da Alerj também disse que “as aquisições mencionadas foram realizadas por intermédio de um escritório de investimentos”. A nota não esclareceu se o deputado tinha conhecimento prévio das operações.
Contexto político e renúncia de Castro
O caso ocorre em um cenário de turbulência política no Rio de Janeiro. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, respectivamente ex-deputado federal e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, foram os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. A esse cenário, somou-se a renúncia de Cláudio Castro no meio do julgamento do TSE, uma manobra do mesmo grupo político, segundo avaliação de autoridades.
“A fraude é patente”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em referência ao contexto. A renúncia de Castro abriu caminho para a posse do desembargador Ricardo Couto, que assumiu interinamente o governo. Couto afirmou que entregará o governo do Rio com R$ 5 bilhões em caixa, graças às reformas e à eliminação de cargos fantasmas.
Investigação segue sem prazo definido
A investigação do MP-RJ sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa segue em sigilo. O órgão não divulgou detalhes sobre as diligências em curso nem sobre possíveis indiciamentos. A defesa de Douglas Ruas não se manifestou além das declarações já divulgadas. O caso permanece em apuração, e novas informações podem surgir a qualquer momento.
Enquanto isso, a Controladoria-Geral do Estado do Rio segue avaliando a legalidade das medidas adotadas na gestão anterior. O déficit orçamentário previsto para 2026, de R$ 18 bilhões, reforça a necessidade de rigor na fiscalização dos recursos públicos. A sociedade aguarda os desdobramentos das investigações.
