A Meta Platforms, empresa controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, consolidou-se como líder global no mercado de óculos inteligentes. Dados do primeiro semestre de 2025 mostram que a companhia construiu discretamente um negócio relevante nesse segmento, visto como aposta estratégica para o futuro.
No entanto, o caminho para transformar essa liderança em lucratividade apresenta desafios significativos de escala e concorrência.
Domínio no mercado atual
A Meta detinha 73% do mercado global de óculos inteligentes no primeiro semestre de 2025. Esse dado evidencia sua posição dominante no setor.
Demanda nos Estados Unidos
A demanda nos Estados Unidos foi tão forte que a empresa e sua parceira, a EssilorLuxottica, anunciaram em janeiro a suspensão temporária da expansão para outros países. Esse movimento reflete a prioridade em atender um mercado aquecido antes de buscar novos horizontes.
Receita da Reality Labs
A divisão Reality Labs, responsável pelos óculos inteligentes e outras tecnologias imersivas, faturou US$ 2,21 bilhões em 2025. O valor representa um leve crescimento em relação aos US$ 2,15 bilhões faturados no ano anterior.
Apesar do avanço, esses números ainda são modestos perto da receita anual total da Meta, que gera mais de US$ 200 bilhões. Essa comparação mostra que o segmento de óculos inteligentes, embora promissor, está em fase inicial dentro do gigante tecnológico.
As perdas por trás da liderança
O sucesso em participação de mercado não se traduziu em resultados financeiros positivos para a Reality Labs. As perdas operacionais da divisão chegaram a US$ 19,2 bilhões no ano passado, um valor expressivo mesmo para uma empresa do porte da Meta.
Projeções de prejuízo
A companhia projeta um prejuízo semelhante neste ano, indicando que os investimentos pesados no setor devem continuar. Nesse contexto, os óculos inteligentes são vistos como a principal aposta para conter essas perdas a longo prazo.
Expansão da capacidade produtiva
A Meta e a EssilorLuxottica avaliam dobrar a capacidade de produção para 20 milhões de unidades neste ano. Dependendo da demanda, o plano é triplicar essa capacidade para 30 milhões de unidades, um sinal claro de confiança no crescimento do produto.
A escalada da produção é um passo crucial para tornar o negócio sustentável.
Projeções de um mercado em expansão
As expectativas para o setor de óculos inteligentes são otimistas, segundo analistas. A Counterpoint Research projeta um crescimento anual composto superior a 60% até 2029, indicando um ritmo acelerado de adoção.
Estimativas de vendas globais
A IDC estima que o mercado global de dispositivos de realidade estendida vendeu 14,5 milhões de unidades em 2025. A mesma consultoria projeta:
- Cerca de 16 milhões de óculos inteligentes vendidos em 2026
- 23 milhões em 2027
Esses números sugerem uma trajetória de crescimento constante, embora ainda distante das ambições de produção da Meta. A expansão do mercado como um todo é um fator positivo, mas também atrai mais competidores.
A concorrência se aquecendo
Enquanto a Meta busca escalar sua operação, rivais importantes preparam seu retorno ou estreia no segmento.
Retorno do Google
O Google confirmou recentemente que voltará ao mercado de óculos inteligentes em 2026. A empresa trabalha com a grife Kering e a fabricante Warby Parker no desenvolvimento de óculos com inteligência artificial embarcada, uma abordagem que combina tecnologia e moda.
Outros competidores globais
Além do Google, a Snap anunciou em janeiro a criação de uma subsidiária dedicada exclusivamente a seus óculos de realidade aumentada, chamada Specs. Do outro lado do mundo, a Alibaba e a Xiaomi lançaram seus próprios modelos no ano passado, mostrando que a disputa é global.
Esse cenário de concorrência crescente coloca pressão adicional sobre a Meta para consolidar sua vantagem inicial.
O desafio de transformar liderança em lucro
O principal desafio para a Meta é escalar seu negócio de óculos inteligentes de forma a justificar os bilhões investidos. A empresa precisa aumentar as vendas e a receita da Reality Labs para reduzir as perdas operacionais, que seguem projetadas na casa dos US$ 19 bilhões.
Teste de capacidade versus demanda
A capacidade de produção planejada, de até 30 milhões de unidades, será testada pela demanda real do mercado. Se as projeções da IDC se confirmarem, com 16 milhões de unidades vendidas globalmente em 2026, a Meta precisará capturar uma fatia significativa dessas vendas para preencher sua capacidade.
Cenário competitivo complexo
A volta do Google em 2026 e as iniciativas de outros players como Snap, Alibaba e Xiaomi tornam essa tarefa mais complexa. A corrida pelos óculos inteligentes está longe de terminar, e a Meta, apesar de na frente, precisa acelerar para vencer.