Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, acusou o Japão de se transformar em um “Estado de guerra”, em meio ao aumento dos gastos militares e ao primeiro teste de mísseis de cruzeiro Tomahawk realizado por Tóquio. Além disso, a declaração foi divulgada pela Agência Central de Notícias Coreana (KCNA) e incluiu a promessa de que Pyongyang definirá opções militares adicionais como consequência. Assim sendo, as tensões também envolvem a China, que manifestou preocupação com o novo militarismo japonês.
Acusação de “Estado de guerra”
Em comunicado publicado pela KCNA, Kim Yo Jong afirmou que o Japão, um “Estado criminoso de guerra”, está acelerando sua transformação em um Estado de guerra. Ademais, a dirigente alertou que a liderança de Pyongyang definirá opções militares adicionais, embora a fonte não tenha detalhado quais seriam essas opções. Dessa forma, “Se os descendentes do militarismo tiverem armas letais, algo desagradável vai acontecer”, escreveu Kim.
Movimentação militar japonesa
De acordo com Kim, o Japão adotou uma série de medidas que preocupam Pyongyang e Pequim:
- Aumento da despesa militar
- Reforço de pactos de defesa
- Instalação de lançadores de mísseis nas ilhas mais remotas
- Primeiro teste de mísseis de cruzeiro Tomahawk de longo alcance
- Participação em exercícios liderados pelos EUA nas Filipinas em maio
O Ministério da Defesa japonês confirmou que o teste com Tomahawks, realizado na semana passada, foi o primeiro do país. Além disso, o ministro da Defesa do Japão afirmou que as forças armadas precisam ser reforçadas com um “sentido de urgência e de crise”. Ademais, o país aumentou a despesa militar em 9,7%, para 62,2 bilhões de dólares (53,9 bilhões de euros) em 2025, equivalente a 1,4% do PIB, a maior proporção desde 1958. Portanto, segundo a análise, Tóquio está avançando para conseguir a posse da capacidade de ataque preventivo.
Ameaças regionais e passado colonial
Uma nova avaliação do governo japonês alertou para ameaças crescentes da China, da Rússia e da Coreia do Norte. Ademais, a China, aliada-chave da Coreia do Norte, manifestou preocupação com o “novo militarismo” do Japão. Dessa forma, as relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se desde novembro, quando a primeira-ministra Sanae Takaichi fez declarações sugerindo que uma ação chinesa para tomar Taiwan poderia justificar uma reação das forças armadas japonesas. Isto é, Pequim reivindica que Taiwan faz parte do seu território e não exclui a possibilidade de tomá-la pela força.
O passado colonial também permanece presente. Por exemplo, o Japão ocupou toda a Coreia na Segunda Guerra Mundial até se render em 1945. Consequentemente, após a rendição, a península coreana foi dividida em Estados distintos ao longo do paralelo 38. Além disso, o legado do violento período colonial continua a pesar nas políticas externas da Coreia do Norte e da Coreia do Sul. Ademais, o Japão acolhe bases militares dos Estados Unidos desde a rendição, elemento adicional de tensão para Pyongyang. Assim sendo, esse pano de fundo histórico e atual alimenta ainda mais a desconfiança de Pyongyang em relação ao Japão.
Resposta nuclear de Pyongyang
Pyongyang tem se declarado repetidamente um Estado nuclear “irreversível” desde a cúpula de 2019. No entanto, aquele encontro entre Kim Jong Un e Donald Trump fracassou em relação ao alcance da desnuclearização e ao levantamento de sanções. Dessa forma, Kim Yo Jong, agora, sinaliza que as opções militares adicionais serão definidas pela liderança, o que pode incluir novos testes ou endurecimento do discurso. Consequentemente, a declaração de que “algo desagradável vai acontecer” reforça o clima de incerteza na região. Todavia, a fonte não detalhou o cronograma para essas medidas.
Em resumo, a Coreia do Norte, que se declara um Estado nuclear “irreversível” desde o fracasso da cúpula de 2019, vê no rearmamento japonês uma ameaça direta. Além disso, Kim Yo Jong deixou claro que Pyongyang não ficará parada e que “algo desagradável vai acontecer” se os “descendentes do militarismo” tiverem armas letais. Por outro lado, o Japão, por sua vez, justifica seus gastos com um “sentido de urgência e de crise” e com ameaças crescentes da China, da Rússia e da Coreia do Norte.
