O médico Abdul El-Sayed venceu as primárias democratas para o Senado dos Estados Unidos no Michigan nesta quarta-feira. Ademais, ele derrotou a congressista Haley Stevens por uma margem reduzida, mesmo com o apoio do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, à adversária.
Assim sendo, com a vitória, El-Sayed enfrentará o republicano Mike Rogers em novembro, em uma eleição que definirá a composição do Congresso para o restante do mandato do presidente Donald Trump.
Vitória construída na base
O resultado confirmou a força de uma campanha que se apresentou como alternativa ao establishment do partido. A vantagem sobre Stevens foi apertada, mas suficiente para garantir a indicação.
Pouco depois da confirmação, El-Sayed foi às redes sociais para celebrar. “Ganhamos”, escreveu na rede X. Em seguida, acrescentou: “Tenho muito orgulho em ser o seu candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos. Vamos vencer em novembro”.
Stevens, por sua vez, tratou de selar a unidade. Em publicação nas redes sociais, afirmou que adora Michigan, que já falou com El-Sayed e prometeu dar total apoio para tentar derrotar Mike Rogers em novembro. O gesto foi reconhecido pelo vencedor, que agradeceu a Stevens por ter se candidatado e disse esperar “nos unirmos neste outono”.
Além disso, El-Sayed destacou a importância da coesão. “Aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos divide”, escreveu. Dessa forma, a fala reforçou o compromisso com a unidade partidária, tema central na preparação para novembro. Agora, a atenção se volta para o papel do dinheiro na disputa.
O peso do dinheiro e do establishment
Apoio do establishment e investimento externo
A campanha de Stevens teve o apoio explícito de Chuck Schumer, além do financiamento de grupos externos.
Por exemplo, segundo relatos, a congressista recebeu dezenas de milhões de dólares do American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) e de grupos associados. O montante, no entanto, não se refletiu em votos suficientes para evitar a derrota para El-Sayed.
Plataforma progressista de El-Sayed
El-Sayed, por outro lado, concentrou o discurso em temas que mobilizam a base progressista. Formado em medicina e com atuação na área de saúde pública, ele defendeu a acessibilidade econômica como prioridade.
Sua principal promessa foi o “Medicare for All”, programa de saúde universal que se tornou um dos eixos da campanha.
Além disso, o candidato se comprometeu a reduzir a influência do dinheiro na política. Ele garantiu que vai trabalhar para “tirar o dinheiro da política”. No site oficial, explicou que se candidata ao Senado dos EUA por acreditar que a vida na América não deveria ser tão difícil.
Ademais, a campanha usou uma linguagem direta contra o poder concentrado. O texto afirma que Abdul vai lutar para construir um governo que funcione “para vocês”, e não para Elon Musk, Donald Trump ou seus amigos bilionários.
Contudo, essa retórica contrasta com o apoio que Stevens recebeu de grupos como o AIPAC. Consequentemente, a diferença de estratégia entre os dois candidatos ficou evidente ao longo da disputa.
Trump entra no confronto
O presidente Donald Trump reagiu publicamente ao resultado das primárias. Ele classificou a vitória de El-Sayed como “uma ótima notícia para o Partido Republicano”. Em seguida, descreveu o candidato democrata como “um comunista fracassado que odeia judeus e Israel”.
As declarações foram publicadas na rede X; no entanto, a fonte não detalhou se Trump pretende intensificar a participação na campanha de Mike Rogers. O tom do presidente mantém o Michigan em evidência.
O que esperar de novembro
Com a indicação definida, El-Sayed terá a missão de ampliar sua base para além do eleitorado das primárias. A eleição de novembro vai definir a composição do Congresso para o restante do mandato de Donald Trump. Michigan, portanto, volta a ser um estado decisivo no mapa eleitoral.
A disputa no Michigan volta a ganhar contornos nacionais. Todavia, até agora, a fonte não detalhou pesquisas de intenção de voto para o confronto com Mike Rogers, nem apresentou calendário de debates.
O que se sabe é que Stevens prometeu apoiar El-Sayed na reta final. Resta saber se a retórica de Trump, que chamou o candidato de comunista e antissemita, terá efeito sobre os eleitores. Além disso, o partido observa se El-Sayed conseguirá manter o mesmo entusiasmo das primárias entre os eleitores independentes.
Em resumo, a campanha segue focada em saúde e economia, temas centrais da plataforma política de El-Sayed.
