Juros futuros fecham estáveis com eleições e Treasuries
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Os juros futuros fecharam a sessão desta quarta-feira com estabilidade, em um pregão marcado pela cautela diante do cenário eleitoral brasileiro e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) oscilaram marginalmente, refletindo a postura defensiva dos investidores às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais.

Segundo agentes do mercado, o quadro bastante equilibrado na disputa eleitoral também não incentivou aumento da exposição a risco. A proximidade do pleito, combinada com a incerteza sobre o resultado, levou os participantes a evitar grandes apostas direcionais na curva de juros.

Curva de juros tem variações pontuais

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 subiu de 13,548%, no ajuste da véspera, para 13,555%. Já o DI para janeiro de 2029 oscilou a 13,790%, ante 13,789% do ajuste anterior, praticamente estável.

No trecho mais longo, o DI para janeiro de 2031 passou de 13,98% para 13,96%, uma leve queda. Em relação ao fechamento de agosto, a taxa do contrato para janeiro de 2029 perdeu cerca de 40 pontos-base, e a para janeiro de 2031, ao redor de 50 pontos. Já a ponta curta cedeu 6 pontos no mesmo período.

Essas variações modestas refletem a ausência de catalisadores domésticos fortes, com os investidores monitorando principalmente o noticiário político e o comportamento dos juros americanos.

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Treasuries sobem e limitam quedas

No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançaram, pressionando as taxas locais. Em igual horário, a taxa da T-note de dez anos subia de 5,249% para 5,287%, ao passo que a do T-bond de 30 anos avançava de 5,571% para 5,632%.

O movimento dos Treasuries refletiu a reavaliação das expectativas para a política monetária do Federal Reserve, após a divulgação de dados de inflação. A alta dos rendimentos americanos tende a reduzir o apelo de ativos de risco, como os títulos de países emergentes.

Para Kautz, o mercado local de renda fixa seguiu mais o ambiente externo nesta quarta e, por isso, não houve muito fôlego para quedas maiores. “Com a aproximação das eleições, o mercado está cauteloso em relação a grandes apostas”, comentou.

PCE dos EUA traz alívio momentâneo

As taxas chegaram a migrar para o terreno negativo após a divulgação do PCE dos Estados Unidos, que avançou 0,3% em agosto ante julho, ante previsão de 0,4%. Na comparação anual, o PCE avançou 3,4% em agosto, também abaixo da projeção de 3,7%.

O número do mês anterior foi revisado de 0,2% para 0,1%. O alívio na curva, porém, durou pouco, mesmo com o dado tendo esfriado apostas de nova alta dos juros pelo Federal Reserve em outubro. A reação inicial positiva foi rapidamente revertida, com os investidores voltando a atenção para o cenário político doméstico.

Pesquisas eleitorais mostram empate técnico

No front político, novas pesquisas eleitorais divulgadas nesta quarta-feira não apontaram mudanças significativas às vésperas do primeiro turno presidencial. O levantamento Indexa/Broadcast aponta Lula com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno, ante 42% de Flávio, em empate técnico.

Também conhecida nesta quarta, a pesquisa Meio/Ideia indica o petista e o senador empatados tecnicamente, com 48,5% e 48%, respectivamente. “Novas pesquisas eleitorais no Brasil não apontam mudança às vésperas do primeiro turno presidencial e o impacto torna-se neutro nessa quarta”, avaliou o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho.

Na leitura do mercado, um governo de direita estaria mais propenso a realizar um ajuste fiscal mais rigoroso e rápido, o que reduziria a percepção de risco sobre o País. Essa percepção, contudo, não se traduziu em movimentos expressivos nos preços dos ativos, dada a incerteza ainda elevada.

Com a estabilidade das taxas, o mercado sinaliza que aguardará o desenrolar do processo eleitoral para definir posições mais claras. A fonte não detalhou projeções para os próximos pregões.

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