Futuros de milho caem em Chicago após dados de estoques do USDA
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Os futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão desta quinta-feira em território negativo, pressionados por um relatório de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que veio acima das projeções do mercado. O contrato mais negociado, com vencimento em dezembro, caiu 21,25 centavos e fechou a US$ 5,0075 por bushel. Durante a sessão, o papel chegou a ser negociado a US$ 4,9875 por bushel, abaixo do patamar psicológico de US$ 5,00 e no menor nível desde 20 de agosto.

A reação negativa refletiu o desconforto dos investidores com a oferta mais folgada do que o previsto, o que tende a aliviar as preocupações com a disponibilidade do cereal no curto prazo. A queda, no entanto, foi limitada por fatores técnicos e pela proximidade do suporte de US$ 5,00, que ainda não foi rompido de forma consistente no fechamento.

Relatório do USDA surpreende e pressiona cotações

O USDA divulgou nesta quinta-feira seus números trimestrais de estoques de grãos nos Estados Unidos, e os dados de milho superaram as estimativas de analistas consultados por agências internacionais. O aumento maior do que o esperado derrubou os futuros de milho na CBOT, com o contrato mais negociado de dezembro caindo, em determinado momento, para uma mínima de US$4,9875 por bushel, abaixo do importante nível psicológico de US$5,00 por bushel e o menor preço do contrato desde 20 de agosto.

Esse movimento evidencia como o mercado estava posicionado para um número mais enxuto, e a surpresa altista nos estoques desencadeou uma onda de vendas. Operadores relataram que fundos de investimento e especuladores reduziram posições compradas, ampliando a pressão sobre as cotações. Ainda assim, o fechamento ligeiramente acima de US$ 5,00 sugere que há interesse comprador nesse nível, o que pode dar sustentação no curtíssimo prazo.

Além do milho, o relatório também trouxe dados para soja e trigo, mas o impacto mais expressivo foi observado no cereal amarelo, justamente pela magnitude da divergência entre o número oficial e as expectativas. A fonte não detalhou os valores absolutos dos estoques, mas a reação dos preços indica que a diferença foi relevante o suficiente para alterar o sentimento do mercado.

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Soja e trigo também recuam na sessão

O movimento de baixa não se restringiu ao milho. Os futuros de soja da CBOT fecharam em queda de 4,75 centavos, a US$12,93 por bushel, enquanto o trigo da CBOT fechou com queda de 17 centavos, a US$6,7575 por bushel. A soja, que vinha de sessões de relativa estabilidade, cedeu diante do tom negativo generalizado no complexo de grãos, embora a perda tenha sido mais contida.

No caso do trigo, a queda foi mais acentuada, refletindo não apenas o relatório de estoques, mas também fatores geopolíticos. O mercado de trigo também permaneceu atento aos esforços diplomáticos para amenizar as interrupções nas exportações do Mar Negro, segundo os operadores. Qualquer sinal de normalização nos embarques da região tende a aumentar a oferta global e, consequentemente, pressionar os preços.

Essa combinação de fundamentos baixistas — estoques maiores nos EUA e possibilidade de retomada das exportações do Leste Europeu — criou um ambiente desfavorável para as commodities agrícolas na sessão. A correlação entre os mercados de grãos também contribuiu para que o milho ampliasse as perdas, já que a fraqueza do trigo costuma contaminar o sentimento de todo o setor.

Nível de US$ 5,00 vira referência técnica

A perda momentânea do suporte de US$ 5,00 por bushel no contrato de dezembro chamou a atenção de analistas gráficos. Esse nível vinha funcionando como um piso psicológico importante desde meados de agosto, e sua violação intradiária, ainda que não confirmada no fechamento, acendeu um alerta para possíveis novas quedas.

Se o milho não conseguir se sustentar acima de US$ 5,00 nas próximas sessões, o caminho pode estar aberto para testar regiões inferiores, com suportes adicionais sendo observados em US$ 4,90 e US$ 4,80. Por outro lado, a rápida recuperação para fechar em US$ 5,0075 indica que há compradores dispostos a defender esse patamar, o que pode limitar o espaço de queda no curto prazo.

Operadores também monitoram o comportamento dos fundos de investimento, que detêm posições líquidas compradas significativas no milho. Uma reversão mais agressiva dessas posições poderia acelerar o movimento de baixa, enquanto uma estabilização dos estoques e da demanda poderia trazer equilíbrio ao mercado.

Perspectivas para as próximas sessões

Com o relatório de estoques já digerido, os olhos do mercado se voltam agora para o andamento da colheita nos Estados Unidos e para as condições climáticas nas principais regiões produtoras. O USDA deve atualizar em breve os dados de progresso da safra, e qualquer sinal de atraso ou perda de produtividade pode reverter parte das perdas recentes.

No front da demanda, as exportações norte-americanas de milho seguem como um termômetro importante. Se os embarques semanais continuarem robustos, a pressão vinda dos estoques elevados pode ser compensada, dando suporte aos preços. Caso contrário, o mercado pode testar novamente os níveis mais baixos vistos na sessão de hoje.

Além disso, a evolução das negociações envolvendo o corredor de exportações do Mar Negro seguirá no radar, especialmente para o trigo, mas com reflexos indiretos no milho. A fonte não detalhou o estágio atual das conversas, mas qualquer anúncio concreto pode gerar volatilidade adicional nos grãos.

Em resumo, o pregão desta quinta-feira evidenciou a sensibilidade dos futuros de milho a surpresas nos fundamentos de oferta. O fechamento em queda de 21,25 centavos, a US$ 5,0075 por bushel, reflete um mercado que ajusta posições diante de um cenário de estoques mais confortáveis, mas que ainda encontra suporte técnico relevante no patamar de US$ 5,00.

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