O Ibovespa hoje (30) disparou mais de 2% e retornou ao patamar de 187 mil pontos, refletindo a expectativa pela eleição presidencial no próximo domingo e o bom humor do mercado externo após dados de inflação nos Estados Unidos. Por volta de 15h (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a máxima intradia, aos 187.834,97 pontos, com alta de 2,18%. A pontuação representa um ganho de 4.007,38 pontos em relação ao fechamento anterior.
PCE nos EUA anima investidores
Parte da forte valorização do Ibovespa deve-se ao cenário externo. Nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,3% em agosto, na comparação mensal, segundo divulgado pelo Bureau of Economic Analysis (BEA). No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) apontou para alta de 3,4% — acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano, mas abaixo de 3,7% registrado no mês anterior e das expectativas do mercado.
Após dados de inflação mais brandos que o esperado, o mercado ampliou a expectativa de manutenção dos juros pelo Fed na próxima decisão, em outubro, e adiou a aposta de uma nova alta nas taxas para dezembro. O movimento reduziu a pressão na curva de juros norte-americana e também no Brasil.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, agora aponta 60,7% de chance de o BC norte-americano manter os juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro. Na véspera, a probabilidade era de 49,1%. Essa mudança de expectativa contribuiu para o apetite por ativos de risco, beneficiando a bolsa brasileira.
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Eleições no radar doméstico
Já o segundo fator é doméstico. A quatro dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a disputa entre o incumbente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada e sem um vencedor claro, segundo as pesquisas eleitorais. A indefinição, no entanto, não impediu o avanço do índice, que reflete a entrada de capital estrangeiro e a melhora do humor dos investidores.
O setor financeiro foi um dos principais motores da alta. As blue chips são as patrocinadoras do Ibovespa nesta quarta-feira, com destaque para o Índice Financeiro (IFNC), que registra avanço de 3,60% com a melhora do apetite a risco, por volta de 15h (horário de Brasília).
Ainda no setor de bancos, apenas Santander (SANB11) recua com a possível deslistagem na B3 no radar, enquanto Itaú (ITUB4) lidera os ganhos com alta de mais de 5%, superando R$ 500 bilhões em valor de mercado pela sexta vez neste ano. O recorde histórico é de R$ 509,9 bilhões, de 16 de abril.
Vale e Petrobras sobem com fluxo
Outros pesos-pesados, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4; PETR3) também operam em alta com sinais de entrada de capital estrangeiro. A valorização dessas ações reflete a melhora do cenário global e a atratividade dos ativos brasileiros diante da perspectiva de juros estáveis nos EUA.
A ponta negativa do IBOV, por sua vez, é liderada por Totvs (TOTS3), com baixa de 2,71%, a R$ 33,70, às 15h. A queda pontual da empresa de tecnologia contrasta com o movimento geral do mercado, mas não chega a ofuscar o desempenho positivo do índice.
Dólar recua com exterior e fluxo
O dólar opera em queda ante as moedas globais, como euro e libra, com a perspectiva de manutenção dos juros nos EUA na próxima decisão do Fed. Por volta de 15h, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, operava perto da estabilidade, a 101.419 pontos.
Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo e ainda é pressionado pela entrada de fluxo estrangeiro. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,1702, com baixa de 0,90%. A queda do dólar reforça o ambiente favorável para a bolsa, pois reduz custos de empresas importadoras e melhora a atratividade de ativos locais.
O desempenho do Ibovespa hoje reflete uma combinação de fatores externos e internos que, juntos, impulsionaram o índice para perto dos 188 mil pontos. A manutenção dos juros nos EUA e a proximidade das eleições no Brasil seguem no radar dos investidores, que monitoram de perto os desdobramentos para calibrar suas posições.
Fonte
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