Inundações no Nepal: estrangeiros entre os desaparecidos
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Uma parede de água e detritos semelhante a um tsunami varreu na quarta-feira a região dos Himalaias, provocando pelo menos 682 mortos e desencadeando uma vasta operação de resgate. Centenas de cidadãos estrangeiros estão entre as quase 3.000 pessoas dadas como desaparecidas após as inundações devastadoras que atingiram no início da semana a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete. As autoridades locais e internacionais trabalham para localizar os desaparecidos e prestar assistência às vítimas.

Nacionalidades dos desaparecidos

Nos números do Conselho de Turismo estavam incluídos 98 cidadãos indianos, 61 ucranianos, 51 malaios, 33 britânicos, 29 letões, 25 canadianos, nove sul-coreanos e nove singapurenses. Segundo os mesmos dados, nove russos e oito alemães permaneciam igualmente por localizar, tal como seis oriundos da África do Sul, cinco do Japão, cinco da Nova Zelândia e quatro de França.

Entre os outros países com cidadãos na lista de desaparecidos do Conselho de Turismo figuravam a Bélgica, a Hungria, os Países Baixos, a Irlanda, o Cazaquistão, Portugal, a Itália, a Bielorrússia, a Finlândia, Israel, a Lituânia, as Filipinas, a Sérvia, a Suíça, a Suécia e o Vietname.

Na quinta-feira, o Departamento de Estado norte-americano indicou que 90 cidadãos dos Estados Unidos continuavam igualmente por localizar, enquanto o governo australiano anunciou no sábado que o número de nacionais desaparecidos tinha aumentado para 41. O Conselho de Turismo do Nepal informou que dois dos três espanhóis desaparecidos tinham sido encontrados, embora o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha não tenha comentado o caso. A China não forneceu qualquer desagregação por nacionalidades dos estrangeiros que indicou como desaparecidos.

A diversidade de nacionalidades reflete o caráter turístico da região, conhecida por trilhas e paisagens montanhosas. Muitos dos desaparecidos estariam em áreas remotas no momento da catástrofe, dificultando o contato e o resgate. As equipes locais seguem atualizando as listas conforme novas informações são recebidas.

Resposta internacional e ajuda humanitária

A União Europeia prometeu apoiar os esforços de ajuda após as inundações, ativando o sistema de satélites de observação da Terra Copernicus para ajudar a acompanhar as consequências. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco iria ainda disponibilizar 2 milhões de euros em ajuda humanitária para o Nepal “para prestar assistência vital às famílias e comunidades mais afetadas”.

O uso do sistema Copernicus permitirá monitorar áreas inundadas, avaliar danos e orientar as equipes de resgate em tempo real. A ajuda financeira anunciada será destinada a suprimentos básicos, abrigo e cuidados médicos para os desabrigados. Outros países e organizações também têm se mobilizado, embora a fonte não tenha detalhado o alcance total dessas contribuições.

Desafios na operação de resgate

As equipes de resgate enfrentam terrenos de difícil acesso, pontes destruídas e estradas bloqueadas por lama e detritos. A comunicação em áreas montanhosas é precária, o que atrasa a confirmação do paradeiro de muitos desaparecidos. Ainda assim, as autoridades mantêm a esperança de encontrar sobreviventes, especialmente em vilarejos isolados que podem ter ficado sem contato.

O Conselho de Turismo do Nepal tem centralizado as informações sobre estrangeiros desaparecidos, em coordenação com embaixadas e consulados. A falta de dados detalhados da China sobre seus cidadãos desaparecidos é um dos pontos que dificultam um balanço completo. A operação segue em andamento, com prioridade para resgatar pessoas ilhadas e distribuir ajuda emergencial.

Impacto nas comunidades locais

Além dos estrangeiros, milhares de nepaleses e tibetanos foram afetados pelas inundações, que destruíram casas, plantações e infraestrutura básica. A tragédia ocorre em uma região já vulnerável a desastres naturais, como deslizamentos e terremotos. Organizações humanitárias alertam para o risco de surtos de doenças devido à água contaminada e à falta de saneamento.

A reconstrução das áreas atingidas deve levar meses ou até anos, exigindo apoio contínuo da comunidade internacional. Enquanto isso, as buscas pelos desaparecidos continuam, com a esperança de que mais pessoas sejam encontradas com vida. A solidariedade global se manifesta por meio de doações e assistência técnica, mas os desafios logísticos permanecem enormes.

Publicado a 29/08/2026 – 16:36 GMT+2 • Últimas notícias 16:51

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