A transformação digital ganhou espaço definitivo na agenda da saúde. Inteligência artificial, interoperabilidade, telemedicina, medicina de precisão e análise de dados já fazem parte das estratégias do setor. No caso da saúde pública, o avanço tecnológico traz uma pergunta central: quem, de fato, consegue acessar esses recursos?
Inovação além da tecnologia
Cristina Balestrin, assessora de gabinete da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, concedeu entrevista gravada diretamente da Hospitalar 2026. Ela destacou que inovação não pode ser entendida apenas como incorporação tecnológica, especialmente quando se fala em SUS. Na avaliação da especialista, inovar em saúde pública exige redesenho de processos, inclusão e atenção às desigualdades regionais e populacionais.
Caso contrário, a tecnologia pode apenas digitalizar problemas já existentes, ampliando a fragmentação do cuidado e tornando ainda menos visíveis grupos que já enfrentam barreiras de acesso. A entrevista completa está disponível no canal do Portal Saúde Business no YouTube.
Diagnóstico de maturidade digital
No caso paulista, Cristina citou a realização de um diagnóstico situacional de maturidade em saúde digital, que analisou regiões de saúde e instituições prestadoras de serviços ao SUS. A partir desse mapeamento, a secretaria passou a estruturar iniciativas voltadas à integração de dados, melhoria da tomada de decisão e ampliação da transparência.
Entre elas está o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde, que reúne painéis com dados sobre instituições, leitos, vigilância sanitária, cobertura vacinal e programas de inovação em saúde digital. A iniciativa busca apoiar decisões públicas e, ao mesmo tempo, informar a população sobre as ações em andamento.
Preparação para inteligência artificial
Na visão da entrevistada, o setor público está em processo de preparação para incorporar ferramentas de inteligência artificial de forma mais estruturada. Antes de avançar em tecnologias disruptivas, é necessário lidar com questões básicas, como infraestrutura, conectividade, sistemas e treinamento.
Cristina reconhece que já existem aplicações em áreas como diagnóstico por imagem, além de iniciativas colaborativas com outros órgãos públicos. O ponto central, segundo ela, é avaliar a incorporação tecnológica com governança, segurança da informação e atenção ao risco de ampliar vieses ou desigualdades.
Saúde digital para populações vulneráveis
Um dos exemplos citados no episódio envolve o uso de saúde digital para populações privadas de liberdade, incluindo prontuário eletrônico, atenção especializada e telediagnóstico em unidades prisionais. De acordo com Cristina, a iniciativa contribuiu para ampliar o cuidado, reduzir deslocamentos sob escolta e gerar impacto financeiro relevante para o sistema.
A entrevista completa está disponível no canal do Portal Saúde Business no YouTube.
