O Ibovespa encerrou a semana com queda de 2,74% nos últimos quatro pregões, completando a oitava semana consecutiva de perdas. Trata-se da maior sequência negativa desde o Plano Real, em 1994. No período, o principal índice da bolsa brasileira acumula desvalorização de 14,34%.
Saída de estrangeiros pressiona bolsa
O motivo por trás do forte desempenho negativo está na saída de fluxo estrangeiro. Segundo dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões em maio. A saída líquida de recursos estrangeiros foi a maior desde março de 2020, início da pandemia de Covid-19.
Parte desse movimento reflete a retomada de atenção do mercado para o setor de tecnologia, classificado como “trade de inteligência artificial”. Esse movimento favoreceu ações dos Estados Unidos e emergentes asiáticos como Taiwan e Coreia do Sul, desviando recursos de mercados como o brasileiro.
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Juros elevados e cenário externo
Os juros foram mais um fator de pressão para a renda variável. Nesta sexta-feira (5), o mercado passou a precificar manutenção da Selic em 14,50% ao ano na próxima decisão do Copom. Perto do fechamento, a curva de juros futuros precificava 68% de Selic estável em 17 de junho.
Dados mais fortes de emprego nos EUA reforçaram a expectativa de alta nos juros norte-americanos no segundo semestre deste ano, o que também contribuiu para a aversão ao risco em mercados emergentes.
Incertezas políticas e tarifas
No início de maio, uma reportagem do Intercept Brasil divulgou um áudio do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Para analistas, a possível ligação de Flávio com Vorcaro colocou em xeque a candidatura do senador à Presidência nas eleições de outubro.
Um novo ‘tarifaço’ do governo Trump também entrou no radar dos investidores. Nesta semana, a Casa Branca anunciou a intenção de taxar o Brasil em 25% após a conclusão da investigação sobre “práticas incoerentes” do país com os Estados Unidos. O governo norte-americano ainda ameaçou aplicar uma taxa adicional de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil.
Saldo positivo no ano
Apesar da forte desvalorização recente, o principal índice da bolsa brasileira ainda acumula alta de 4,90% no ano. O fluxo estrangeiro segue positivo em R$ 41,6 bilhões. Desde as máximas históricas, as companhias listadas no Ibovespa perderam R$ 778 bilhões em valor de mercado, de acordo com o levantamento da Alos Ayta divulgado nesta sexta.
Fonte
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