O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, prestou depoimento nesta terça-feira, 6, na condição de testemunha, no inquérito que investiga fraudes envolvendo o caso Master. A informação foi confirmada pela Polícia Federal (PF), que, no entanto, não divulgou detalhes sobre o conteúdo dos esclarecimentos prestados pelo banqueiro central. A oitiva ocorre em meio a apurações sobre a fiscalização do Banco Master, instituição financeira que tem atraído atenção de autoridades.
O depoimento de Galípolo não constava, até o momento, na agenda oficial do presidente do BC disponível no site da autoridade monetária. A ausência do compromisso na agenda pública levanta questionamentos sobre o caráter sigiloso da diligência, prática comum em investigações em curso. A PF limitou-se a confirmar a realização da oitiva, sem acrescentar informações sobre local, duração ou perguntas feitas.
Intimação anterior e contexto do caso
Galípolo já havia confirmado, no fim de setembro, que prestaria depoimento à PF após ser intimado pela entidade para esclarecer a fiscalização do Banco Master. Na ocasião, o então futuro presidente do BC — que assumiu o cargo em janeiro deste ano — afirmou que colaboraria com as investigações. Além dele, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também foi intimado como testemunha no mesmo inquérito.
A intimação de ambos os dirigentes da autoridade monetária sugere que os investigadores buscam compreender os procedimentos adotados pelo BC em relação ao Banco Master. A instituição financeira tem sido alvo de suspeitas de irregularidades, embora a fonte não tenha detalhado a natureza exata das fraudes sob apuração. O caso Master ganhou repercussão no mercado financeiro e no cenário político, dada a relevância sistêmica das instituições envolvidas.
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Papel do Banco Central sob escrutínio
A condição de testemunha atribuída a Galípolo indica que, até o momento, ele não é formalmente investigado no inquérito. Testemunhas são ouvidas para relatar fatos de que tenham conhecimento, sem que haja imputação de conduta ilícita. No entanto, a oitiva de altos dirigentes do BC em uma investigação criminal é incomum e reforça a seriedade das apurações sobre a supervisão bancária.
O Banco Central é responsável por regular e fiscalizar as instituições financeiras no país, incluindo bancos de menor porte como o Master. Questionamentos sobre a eficácia dessa fiscalização podem ter motivado a convocação de Galípolo e Campos Neto. A fonte não detalhou se os depoimentos abordaram falhas específicas na supervisão ou se limitaram a esclarecer procedimentos rotineiros.
Agenda oficial sem registro do depoimento
A ausência do depoimento na agenda oficial de Galípolo, disponível no site do BC, foi notada por observadores. A agenda pública do presidente da autoridade monetária costuma listar compromissos oficiais, reuniões e eventos, mas pode omitir diligências sigilosas a pedido das autoridades competentes. A PF não informou se solicitou a omissão do compromisso para preservar o andamento das investigações.
Especialistas em direito administrativo explicam que depoimentos em inquéritos policiais podem ser mantidos fora da agenda pública para evitar interferências ou vazamentos. A fonte não detalhou se a omissão foi deliberada ou se a agenda seria atualizada posteriormente. O BC não se manifestou sobre a ausência do registro até o fechamento desta matéria.
Próximos passos da investigação
Com o depoimento de Galípolo, a PF avança na coleta de testemunhos sobre o caso Master. Ainda não há informações sobre quando Roberto Campos Neto prestará seu depoimento, nem se outras testemunhas serão ouvidas. A investigação segue sob sigilo, e a PF não divulgou prazos para conclusão do inquérito.
O caso Master envolve suspeitas de fraudes que ainda não foram detalhadas publicamente pelas autoridades. A menção à fiscalização do Banco Master indica que o foco das apurações pode estar relacionado à conduta da instituição financeira e à atuação do órgão regulador. A fonte não detalhou se há outras frentes de investigação ou se o caso pode gerar desdobramentos administrativos no BC.
Enquanto isso, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos, uma vez que a credibilidade do sistema financeiro depende da confiança na supervisão exercida pelo Banco Central. A oitiva de Galípolo, ainda que como testemunha, coloca a autoridade monetária no centro de um debate sobre transparência e responsabilidade na regulação bancária.
Fonte
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