Uma nova paisagem no varejo americano

Pela primeira vez na história, empresas de serviços ocupam mais espaço de varejo alugado nos EUA do que lojas que vendem produtos. Essa mudança reflete transformações profundas nos hábitos de consumo e na economia do país.

Empresas de serviços ocuparam pouco mais de 50% da área total de varejo alugada em 2025, segundo a CoStar Group. Quinze anos atrás, esse percentual era de apenas 40%.

A inversão gradual ilustra como o comércio eletrônico reduziu a necessidade de espaço físico para vender itens como roupas e calçados. Proprietários de imóveis comerciais se adaptam a uma realidade onde experiências e serviços pessoais ganham prioridade.

O impulso do setor de bem-estar

Mercado em expansão

O crescimento do segmento de serviços está ligado à expansão do mercado de bem-estar. Esse setor movimentou US$ 2,1 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Institute.

A organização mede gastos em 11 setores, incluindo:

  • Spas
  • Beleza
  • Nutrição
  • Saúde mental
  • Saúde pública

A demanda por serviços que promovem qualidade de vida, estética e condicionamento físico impulsiona a abertura de novos estabelecimentos.

Exemplo de crescimento

A Planet Fitness adicionou mais de 1 milhão de membros no ano passado. A empresa planeja abrir quase 200 novas unidades em 2026.

Muitas dessas unidades ocupam espaços deixados por varejistas que faliram, como a Rite Aid e a rede de artesanato Joann. Esse movimento revitaliza locais comerciais ociosos e atende à demanda por acessibilidade no fitness.

Casos práticos de transformação

Reconfiguração de espaços

Exemplos concretos ilustram como essa mudança ocorre no dia a dia. Após uma loja de bebidas deixar o Whitemarsh Shopping Center, nos subúrbios da Filadélfia, a Brixmor dividiu o espaço de 950 metros quadrados em quatro lojas menores.

Os novos inquilinos são:

  • Um hospital veterinário
  • Uma rede de spas faciais
  • Uma rede de estúdios de alongamento
  • Um salão de manicure

Juntos, eles geram 20% mais aluguel do que o antigo locatário. A estratégia maximiza o retorno financeiro e diversifica a oferta para consumidores.

Iniciativas empreendedoras

Empreendedores capitalizam essa tendência. Noah Neiman, cofundador da rede de boxe Rumble Boxing, abriu recentemente na região o Pack, um estúdio de defesa pessoal e fitness em grupo.

Iniciativas como essa mostram como nichos específicos dentro do setor de serviços encontram oportunidades em espaços antes dominados por varejistas de produtos.

Impacto no mercado imobiliário

Resiliência do mercado

Apesar das mudanças estruturais, o mercado imobiliário de varejo nos EUA permanece resiliente. A vacância no varejo está em 4,4%, próxima de mínimas históricas.

Esse dado indica que, embora a natureza dos inquilinos mude, a demanda por espaço comercial continua forte. A capacidade de adaptação dos proprietários e a flexibilidade na subdivisão de grandes áreas são fatores-chave.

Reconfiguração do espaço

Mudanças no nível dos imóveis refletem como o comércio eletrônico reduziu a necessidade de espaço físico para vender itens. Simultaneamente, abriu portas para novos tipos de negócios.

A transição de lojas de produtos para empresas de serviços não representa um esvaziamento, mas uma reconfiguração do uso do espaço. O futuro do varejo físico será cada vez mais centrado em experiências que não podem ser replicadas online.

O que isso significa para o futuro

Nova fase no consumo

A predominância de spas, academias e outros serviços sobre lojas de produtos marca uma fase nova no consumo americano. Enquanto o comércio eletrônico cresce, espaços físicos são redefinidos para oferecer valor além da simples transação comercial.

Essa tendência deve se intensificar nos próximos anos. Mais investimentos em setores como saúde, beleza e fitness ocuparão o lugar de varejistas tradicionais.

Mercado em ajuste

A baixa taxa de vacância mostra que o mercado se ajusta com sucesso a essas mudanças. A capacidade de inovação e a resposta ágil à demanda dos consumidores permitem que centros comerciais mantenham sua relevância.

A transformação não é apenas sobre números. Reflete como os americanos escolhem gastar tempo e dinheiro, priorizando bem-estar e experiências pessoais em detrimento de aquisições materiais.

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