Como o Brasil pode ganhar com fim de restrição do etanol na gasolina nos EUA
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Um projeto de lei que tramita no Congresso dos Estados Unidos pode alterar de forma significativa o mercado global de etanol. Caso o texto avance também no Senado e seja sancionado pelo presidente Donald Trump, a mistura de 15% deixará de ser uma exceção sazonal e passará a ser uma realidade permanente no maior mercado de etanol do mundo. A medida, que já passou pela Câmara, promete impactar não apenas os produtores americanos, mas também países como o Brasil.

Restrição atual e mudança proposta

Hoje, a comercialização do E15 é proibida no verão americano por razões ambientais ligadas à formação da névoa de poluição do ar conhecida como “smog”. Com isso, o uso do biocombustível é limitado em parte do período de maior consumo. A restrição sazonal reduz o potencial de mercado para o etanol, especialmente durante os meses de férias e viagens, quando a demanda por gasolina atinge o pico.

A proposta em análise busca eliminar essa barreira, permitindo que o E15 seja vendido durante todo o ano. “Nesse contexto, uma mistura mais alta de etanol na gasolina atende simultaneamente à agenda de segurança energética, à demanda agrícola interna e às metas de descarbonização”, destaca o texto em tramitação.

Cenário atual da produção americana

Os cálculos são de que a produção americana cresceu 149% entre 2007 e 2024, mas a demanda doméstica se aproximou de um ponto de saturação, o que tem empurrado o excedente para o mercado internacional. Os Estados Unidos consolidaram-se como o maior produtor global de etanol, mas o consumo interno não acompanhou o ritmo de expansão da oferta.

O Brasil aparece hoje com participação modesta, em torno de 2% das importações de etanol americano. Apesar de ser um grande produtor, o país importa volumes relativamente pequenos dos EUA, principalmente para atender a demandas específicas de regiões como o Nordeste. É feita a ressalva de que essa configuração pode mudar de forma significativa se o E15 for liberado em caráter permanente.

Impacto na demanda global

O texto destaca estimativa da National Corn Growers Association, que estima que um aumento de 1 ponto percentual no blend médio nacional de etanol nos EUA gere demanda adicional de 1,36 bilhão de galões de etanol e 13,2 milhões de toneladas de milho. Esse incremento na demanda doméstica americana pode absorver parte do excedente atualmente exportado.

Segundo a empresa de serviços financeiros, mercados como União Europeia e Índia despontam como destinos naturais para esse redirecionamento, uma vez que já importam volumes relevantes dos EUA e têm agendas claras de transição energética. Com a redução da oferta disponível para exportação, outros países podem buscar alternativas, abrindo espaço para o etanol brasileiro.

Oportunidades para o Brasil

Em paralelo, o milho também tende a ser beneficiado do lado da demanda global, ainda que os efeitos de maior fôlego só devam se materializar no longo prazo, à medida que novas plantas de etanol entrem em operação. O Brasil, que produz etanol tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, pode se posicionar como fornecedor para mercados que perderem acesso ao produto americano.

A participação brasileira nas exportações americanas é pequena, mas o país tem capacidade de expandir sua produção e atender a uma demanda internacional crescente. A liberação permanente do E15 nos EUA pode, indiretamente, beneficiar o Brasil ao reduzir a concorrência em terceiros mercados e ao estimular investimentos em novas plantas de etanol de milho.

A fonte não detalhou prazos para a tramitação no Senado nem a probabilidade de sanção presidencial. O texto original foi publicado no InfoMoney.

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