O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, afirmou que seu país está preparado para assumir o papel da Hungria e bloquear empréstimos da União Europeia (UE) à Ucrânia. A condição é que o atual líder húngaro, Viktor Orbán, perca as eleições parlamentares previstas para abril.
A declaração coloca nova pressão sobre o apoio financeiro europeu a Kiev, em meio a tensões sobre o fornecimento de energia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, mencionou a possibilidade de retomar os fornecimentos de petróleo dentro de um mês, ou seja, após o pleito húngaro.
Eslováquia pronta para assumir papel de bloqueio
Fico deixou claro que a Eslováquia está pronta para assumir o bastão da Hungria na oposição a medidas da UE favoráveis à Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco alertou contra a priorização, por parte da Comissão Europeia, dos interesses ucranianos em detrimento dos interesses de Estados-membros como a Eslováquia e a Hungria.
Essa postura reflete preocupações com a segurança energética, já que ambos os países dependem do petróleo russo.
Dependência do oleoduto Druzhba
Infraestrutura crucial danificada
A Hungria e a Eslováquia são os últimos Estados-membros da UE que importam grandes quantidades de petróleo da Rússia através do oleoduto Druzhba. Essa infraestrutura crucial atravessa o território ucraniano, mas foi danificada num ataque com drones russos no final de janeiro.
Até o momento, o oleoduto ainda não foi reparado, o que afeta o abastecimento energético dos dois países.
Disputa sobre o estado do oleoduto
Fico repetiu que a Eslováquia tem provas via satélite de que o oleoduto Druzhba ainda está operacional, embora com capacidade reduzida. Essa situação levou a um impasse diplomático.
Pressão sobre a Comissão Europeia
Diante do cenário, Fico disse que vai instar a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a pressionar o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy para permitir a inspeção do oleoduto. O objetivo é avaliar os danos e acelerar os reparos, garantindo o fluxo de petróleo.
A Eslováquia argumenta que a prioridade da UE deve ser a segurança energética de seus membros, e não apenas o apoio à Ucrânia. Essa abordagem contrasta com a posição de outros países europeus, que enfatizam a ajuda militar e financeira a Kiev.
Implicações para as eleições húngaras
A ameaça de Fico está diretamente ligada ao resultado das eleições húngaras de abril. Se a oposição vencer e Orbán perder o cargo, a Eslováquia se colocaria como o novo obstáculo aos empréstimos da UE à Ucrânia.
Zelenskyy tem expressado esperança nessa mudança, mencionando a retomada dos fornecimentos de petróleo após o pleito. No entanto, a posição de Fico sugere que mesmo uma vitória da oposição na Hungria não necessariamente facilitaria o apoio europeu a Kiev.
Isso cria um cenário de incerteza para a política externa da UE.
Um impasse que persiste
Em resumo, a declaração de Robert Fico evidencia as divisões internas na União Europeia sobre o apoio à Ucrânia. A dependência energética da Eslováquia e da Hungria do petróleo russo, via oleoduto Druzhba, coloca esses países em rota de colisão com as prioridades de ajuda financeira a Kiev.
Com o oleoduto ainda danificado e sem reparos, a pressão por inspeções e soluções imediatas aumenta. As eleições húngaras de abril serão um momento decisivo, mas a postura da Eslováquia indica que os desafios diplomáticos devem continuar, independentemente do resultado.
A situação reforça a complexidade da guerra na Ucrânia e seus impactos na coesão europeia.
