O fenômeno climático El Niño, considerado o mais forte em uma geração, já provoca impactos significativos na economia global, afetando desde a pesca de anchovas no Peru até o tráfego no Canal do Panamá. A preocupação é com o El Niño, uma dança planetária de fenômenos climáticos que começa com o aumento das temperaturas no Pacífico e provoca secas e enchentes em diferentes continentes.
O fenômeno ocorre a cada poucos anos e recebeu seu nome — El Niño de Navidad, ou Menino Jesus — de pescadores peruanos que, há muito tempo, perceberam que o período do Natal às vezes trazia um calor que devastava os estoques de peixes.
Escassez de anchovas impulsiona proteína alternativa
No Peru, maior produtor das anchovas usadas para fabricar farinha de peixe, as autoridades suspenderam antecipadamente a pesca deste ano, levando a farinha de peixe a preços recordes. A escassez de anchovas colocou as larvas de mosca em uma posição privilegiada. Para Clément Ray, CEO da empresa francesa de proteína de insetos Innovafeed, a chegada do El Niño foi bem-vinda. “É o momento perfeito para nós”, disse. “Nos últimos dois meses, conseguimos garantir mais demanda do que nos dois anos anteriores”, acrescentou Ray.
A expectativa é que o El Niño persista até 2027, ano que é amplamente previsto como o mais quente já registrado.
Canal do Panamá reduz tráfego em meio à seca
O Canal do Panamá, uma rota crucial para o comércio mundial, enfrenta condições de seca provocadas pelo El Niño. O canal perde 50 milhões de galões de água sempre que um navio passa por ele e é abastecido pelo Lago Gatún, seu principal reservatório. As chuvas entre maio e agosto ficaram 34% abaixo da média histórica. A autoridade responsável pelo canal informou neste mês que reduzirá o número máximo de passagens de embarcações de 36 para 32 por dia até meados de setembro.
O preço médio dos leilões para navios que utilizam as maiores eclusas disparou para US$ 2,5 milhões nas últimas semanas, ante níveis normalmente próximos de US$ 800 mil, enquanto as empresas de transporte marítimo correm para atravessar o canal antes que a seca se agrave. O canal já estava excepcionalmente movimentado porque as empresas evitavam o Estreito de Ormuz.
O Panamá contratou o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos para modernizar a via, que gerou US$ 4 bilhões em receitas de pedágio em 2025. O país destinou US$ 2 bilhões para desviar até quatro rios para o canal, reforçando outros três que já o abastecem.
Chuvas excessivas afetam mineração de cobre
Em outras partes do mundo, o excesso de chuva é o problema. A produtora chilena de cobre Antofagasta reduziu sua previsão de produção depois que uma tempestade incomum despejou 5 milhões de metros cúbicos de neve na mina Los Pelambres, em julho, provocando uma paralisação. A mina estava sob um rio atmosférico que atingiu grande parte do Chile, um fenômeno raro que, segundo meteorologistas, é compatível com o fortalecimento do El Niño. O El Niño pode provocar novas interrupções.
No último episódio, entre 2023 e 2024, a seca reduziu a geração de energia hidrelétrica na Zâmbia, afetando produtores de cobre. Analistas da consultoria de pesquisa CRU disseram que o clima seco associado ao El Niño já está afetando o transporte fluvial de cargas em uma importante mina de Papua-Nova Guiné.
Vencedores e perdedores do fenômeno climático
O El Niño cria vencedores e perdedores. Para a Innovafeed, a prioridade não é maximizar os preços, mas conquistar clientes de longo prazo para a proteína de insetos, disse Ray. Um El Niño forte tende a reduzir o número de furacões no Atlântico, o que pode beneficiar as seguradoras. O fenômeno também pode ajudar a Europa caso um inverno ameno reduza a demanda por gás natural liquefeito importado, segundo analistas da Rystad Energy.
Os amantes dos esportes de inverno estão rezando para Ullr, deus nórdico da neve, para que o El Niño traga uma quantidade espetacular de neve às Montanhas Rochosas — pelo menos de acordo com um comunicado divulgado pela Vail Resorts.
Fonte
- investnews.com.br
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- El Niño (www.wsj.com)
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