A economia da Argentina registrou uma queda de 1,74% em agosto deste ano, se comparado com o mesmo mês de 2025. O resultado leva especialistas a apontarem um risco de recessão no país vizinho. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), instituição oficial responsável por medir os indicadores sociais e econômicos do país. A retração anual reforça a trajetória de desaceleração observada nos últimos meses.
Em relação a julho deste ano, a atividade econômica da 2ª maior economia da América do Sul cresceu 0,1%. A variação mensal positiva, ainda que tímida, indica uma leve recuperação na margem. No entanto, o dado não foi suficiente para reverter o quadro de contração anual. O contraste entre o desempenho mensal e anual evidencia a complexidade do cenário econômico argentino.
Segundo mês seguido de retração anual
Este é o segundo mês consecutivo que os números apresentam retração. Em julho de 2026, houve uma queda de 2,8% em relação a julho de 2025 e redução de 1,5% em relação a junho. A sequência de resultados negativos na comparação anual acende o alerta para uma possível recessão técnica. A recessão é geralmente definida por dois trimestres consecutivos de contração do Produto Interno Bruto (PIB). Embora os dados mensais não configurem automaticamente uma recessão, a tendência preocupa analistas.
O Indec é a fonte oficial dessas estatísticas e seus números são amplamente utilizados por economistas e investidores. A queda de agosto, embora menor que a de julho, mantém a economia em terreno negativo. A persistência da retração anual sugere que a demanda interna e a produção seguem pressionadas. Especialistas consultados pela imprensa local apontam que o risco de recessão aumentou nos últimos meses.
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Acumulado do ano desacelera para 1,2%
No acumulado de 2026 terminado em agosto, a economia argentina cresceu 1,2%, ante um crescimento de 1,7% registrado no acumulado do ano terminado em julho. A desaceleração do acumulado reflete a fraqueza recente da atividade. A perda de fôlego no acumulado é um sinal de que o impulso do início do ano perdeu força. A comparação entre os acumulados mostra uma redução de 0,5 ponto percentual em apenas um mês.
Esse movimento indica que os setores que puxavam o crescimento podem estar perdendo dinamismo. Ainda assim, o acumulado positivo mostra que a economia não entrou em colapso. O desafio, segundo analistas, é evitar que a desaceleração se transforme em contração generalizada. A fonte não detalhou quais componentes mais contribuíram para a desaceleração do acumulado.
Setores que impulsionaram a economia
Por outro lado, contribuíram para elevar a economia da Argentina os setores de mineração e petróleo (+11,1); eletricidade, gás e água (+4,3); e hotéis e restaurantes (+3,1%). Esses segmentos apresentaram crescimento expressivo na comparação anual. O desempenho da mineração e do petróleo foi o mais forte, com alta de dois dígitos. O setor de energia também mostrou vigor, refletindo investimentos em infraestrutura.
O setor de hotéis e restaurantes, por sua vez, beneficiou-se da recuperação do turismo e do consumo de serviços. Esses resultados positivos, contudo, não foram suficientes para compensar as quedas em outros segmentos. A fonte não detalhou quais setores tiveram desempenho negativo. A heterogeneidade setorial é um traço marcante da economia argentina no período.
Ministro destaca alta mensal e tendência-ciclo
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, destacou o crescimento de 0,1% em agosto se comparado com julho. “Com essa dinâmica, o indicador tendência-ciclo se posicionou 6,6% acima do nível de dezembro de 2023”, explicou em uma rede social. A declaração busca enfatizar a recuperação em relação ao final de 2023. O indicador tendência-ciclo é uma medida que isola flutuações sazonais e irregulares.
Medido pelo Indec, o indicador tendência-ciclo, que busca isolar as tendências sazonais, registrou 0% em agosto. O valor nulo indica estabilidade na tendência de longo prazo. Apesar da estabilidade, o nível permanece acima do patamar de dezembro de 2023, conforme mencionado pelo ministro. A leitura de Caputo sugere que a economia está em um processo de consolidação, ainda que frágil.
Exportações da agroindústria batem recorde
“Nos primeiros 9 meses do ano, as exportações da agroindústria somaram US$ 43.206 milhões de dólares, crescendo 13% em relação ao mesmo período de 2025 e registrando também um recorde histórico em volume”, comemorou o ministro. O desempenho do setor agroexportador é um ponto positivo para a balança comercial. O crescimento de 13% em valor e o recorde em volume indicam forte demanda externa.
A agroindústria é um pilar da economia argentina e suas exportações ajudam a gerar divisas. O resultado pode aliviar a pressão sobre as contas externas. No entanto, o bom desempenho do setor externo não se refletiu em crescimento geral da economia em agosto. A fonte não detalhou a participação da agroindústria no PIB do período.
Risco de recessão no horizonte
A combinação de dois meses consecutivos de queda anual e desaceleração do acumulado eleva o risco de recessão. Economistas monitoram de perto os próximos indicadores para avaliar se a contração se aprofundará. A leve alta mensal de 0,1% em agosto pode ser um sinal de estabilização, mas é cedo para afirmar. O cenário internacional e as políticas domésticas serão decisivos para o rumo da economia.
O governo argentino aposta na continuidade da recuperação, citando o nível do indicador tendência-ciclo. Já os analistas mais cautelosos apontam que a demanda interna segue fraca. A inflação elevada e a perda de poder de compra são fatores que limitam o consumo. A fonte não detalhou projeções oficiais para os próximos meses.
Em resumo, a economia argentina enfrenta um momento de desaceleração, com sinais mistos entre setores e indicadores. O risco de recessão existe, mas ainda não se concretizou em uma contração generalizada. Os próximos dados do Indec serão fundamentais para confirmar ou afastar esse cenário.
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- 📎 Indec (emae_10_263A9DC1ED2B.pdf)
Fonte
- www.moneytimes.com.br
- Indec (www.indec.gob.ar)
