Nas últimas décadas, a comunidade médica global observa um fenômeno preocupante: o aumento dos casos de câncer de início precoce, diagnosticados em pessoas com menos de 50 anos. No entanto, a detecção precoce desses tumores pode elevar a taxa de cura para até 90%, segundo especialistas. A chave para esse avanço está na evolução dos biomarcadores — indicadores mensuráveis que sinalizam processos patológicos e representam uma das principais conquistas da Medicina Diagnóstica nos últimos 50 anos.
Biomarcadores: as assinaturas do tumor
Biomarcadores podem ser moléculas proteicas, genes ou produtos do metabolismo gerados direta ou indiretamente pelo tumor. Eles funcionam como “assinaturas” que indicam a presença da doença. Marcadores proteicos clássicos, como o PSA para o câncer de próstata e o CA 125 para o de ovário, já são amplamente utilizados. A ciência contemporânea avança rapidamente no campo molecular, ampliando as possibilidades de diagnóstico precoce.
Avanços em mama e próstata
Alguns tipos de câncer, como os de mama e próstata, registraram avanços relevantes no diagnóstico e no acompanhamento com o uso de marcadores como o CA 15-3 e o PSA. Esses biomarcadores permitem identificar a doença em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores. No entanto, a identificação de biomarcadores mais sensíveis para tumores de pâncreas e estômago ainda representa um desafio importante. A revisão contínua de protocolos e o avanço das pesquisas trazem perspectivas promissoras para esses cenários.
Jornada completa do paciente
A Medicina Diagnóstica não se limita à descoberta de casos. Ela é essencial em toda a jornada do paciente, auxiliando na escolha da terapia, na avaliação da eficácia do tratamento e no monitoramento pós-cura. A elevação de marcadores como o CA 125 pode ocorrer meses antes de qualquer evidência clínica de que o câncer retornou, permitindo uma intervenção rápida e crucial. A correlação entre o momento do diagnóstico e a sobrevida é direta: os dados mostram que a progressão do tumor é significativamente mais lenta e as terapias muito mais eficazes nos estágios I e II do câncer.
Autocuidado e atenção aos sinais
Outros pontos importantes são o autocuidado e a atenção a sinais como perda de peso sem motivo, fadiga persistente e alterações fisiológicas incomuns. Com essa mentalidade, integrada ao fortalecimento da rede diagnóstica e à democratização do acesso às novas tecnologias de marcadores tumorais e testes genéticos, temos os pilares estratégicos para vencer uma das batalhas mais desafiadoras da medicina moderna.
Alex Galoro é líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).
