No debate promovido pela TV Globo, os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro protagonizaram um confronto marcado por trocas de acusações sobre infraestrutura, agronegócio e poder de compra. O encontro, realizado em estúdio, colocou frente a frente propostas e críticas sobre a condução econômica e os investimentos públicos no país.
Infraestrutura vira palco de embate
Lula abriu a discussão afirmando que nenhum governo investiu tanto em obras de infraestrutura quanto a sua gestão. Ele destacou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e citou projetos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos em andamento. A declaração buscou reforçar a imagem de um legado de obras estruturantes.
Na réplica, Flávio prometeu expandir a malha ferroviária brasileira, concluir a Transnordestina e ampliar concessões rodoviárias. O candidato do PL também defendeu tratar a conectividade digital como infraestrutura estratégica para aumentar a produtividade do agronegócio. A proposta conectou logística e tecnologia como pilares para o setor produtivo.
Lula rebateu afirmando que diversas obras citadas pelo adversário já estão em execução pelo governo federal. Ele voltou a defender os investimentos públicos como motor para a expansão da capacidade logística do Brasil. A troca evidenciou divergências sobre o papel do Estado na economia.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.moneytimes.com.br
Salário mínimo e poder de compra
Em outro momento do debate, Lula questionou Flávio sobre o salário mínimo. O petista afirmou que os governos petistas foram responsáveis por políticas de valorização da renda dos trabalhadores acima da inflação. A fala remeteu ao histórico de reajustes reais concedidos em gestões anteriores.
O candidato do PL respondeu com críticas à condução fiscal do atual governo. Segundo Flávio, o aumento dos gastos públicos teria pressionado juros e inflação, reduzindo o poder de compra das famílias. Ele argumentou que o desequilíbrio nas contas públicas compromete a renda real da população.
Flávio também voltou a defender um reajuste do salário mínimo acima da inflação, mas condicionou a medida ao equilíbrio fiscal e à redução da carga tributária. A proposta uniu ganho real a uma gestão responsável das contas públicas.
Já Lula prometeu manter a política de valorização do salário mínimo. Ele reiterou que aposentadorias e benefícios previdenciários continuarão recebendo reajustes acima da inflação durante um eventual novo mandato. A garantia foi apresentada como compromisso com aposentados e pensionistas.
Agronegócio: crédito e apoio ao setor
Ao abordar a região Centro-Oeste, Flávio concentrou seus ataques na política agrícola do governo. Ele afirmou que produtores enfrentam dificuldades para acessar crédito e contratar financiamentos devido aos juros elevados. A crítica mirou as condições de custeio e investimento no campo.
O candidato do PL prometeu fortalecer o seguro rural, ampliar a previsibilidade para o Plano Safra e garantir mais segurança jurídica aos produtores. As propostas buscaram atender demandas por estabilidade e proteção contra riscos climáticos e de mercado.
Lula rebateu dizendo que o agronegócio nunca recebeu tanto apoio financeiro quanto nos governos petistas. Segundo ele, o setor conta com linhas de crédito subsidiadas e registrou recordes de exportações, beneficiado pela abertura de novos mercados internacionais. A resposta destacou os resultados comerciais do período.
O presidente também destacou o crescimento do superávit comercial brasileiro e negou que o governo tenha promovido qualquer política de hostilidade ao setor. A fala procurou afastar a imagem de conflito entre o Executivo e os produtores rurais.
Propostas regionais e legado
No bloco dedicado às regiões do país, os candidatos apresentaram propostas específicas para diferentes localidades. Lula defendeu seu legado no Nordeste, citando a expansão de universidades federais, institutos tecnológicos, a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. O petista acusou adversários de historicamente negligenciarem a região.
Na discussão sobre a região Norte, o candidato do PL criticou o governo por atrasos na universalização do saneamento básico. Flávio prometeu acelerar investimentos em água tratada, esgoto, logística e na Zona Franca de Manaus. A proposta incluiu infraestrutura urbana e desenvolvimento industrial.
Lula, por sua vez, destacou investimentos em infraestrutura e defendeu a proteção da Amazônia e a chamada economia verde como alternativa de desenvolvimento para a região. A abordagem uniu preservação ambiental e geração de emprego e renda.
Tom agressivo e troca de acusações
Ao longo do bloco, os dois candidatos mantiveram o tom agressivo, com frequentes interrupções e trocas de acusações sobre responsabilidade pela inflação, investimentos públicos, programas sociais e legado de governos anteriores. O debate prosseguiu com novos temas sorteados, sem que houvesse consenso sobre os pontos levantados.
