A instalação ‘Cosmic Thing’, do artista mexicano Damián Ortega, apresenta um Fusca suspenso no ar, com suas peças flutuando, criando uma ambiguidade entre explosão e recomposição. A obra transforma um carro familiar em algo estranho, permitindo ao público observar tanto o todo quanto os fragmentos. A exposição ‘Matéria e Energia’ no Masp reúne 35 obras de Ortega, incluindo esta peça central.
O Fusca que explode e se recompoe
No Masp, o Fusca está suspenso no ar. Cada parafuso, engrenagem, cabo, farol e fragmento da carroceria flutuam no espaço. O automóvel parece congelado em um instante ambíguo: não se sabe se está explodindo ou se recompondo. Um Fusca pode ter entre três mil e cinco mil peças, e há vídeos na internet ensinando a desmontar e remontar um Fusca.
Dissecação analítica e transgressão
Ortega reflete sobre a dissecação analítica e a transgressão agressiva ao desmontar objetos para revelar seus segredos. A obra transforma um dos objetos mais familiares do século XX em algo estranho. Diante da obra, o olhar oscila entre o todo e os fragmentos.
Curadoria e visão da mostra
Yudi Rafael é curador assistente do Masp e um dos responsáveis pela mostra, ao lado de Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura. Segundo Rafael, o trabalho de Ortega não oferece respostas prontas.
Trajetória do artista mexicano
Ortega nasceu na Cidade do México, em 1967. Trabalhou como cartunista político. Morou no Rio de Janeiro no início dos anos 2000. A mudança estreitou seu contato com a produção artística brasileira e aprofundou seu interesse por nomes como Hélio Oiticica, Lina Bo Bardi, Cildo Meireles e Arthur Bispo do Rosário. Ortega publicou livros sobre figuras centrais da cultura brasileira. Além disso, valoriza o trabalho manual e a relação com os materiais.