As empresas Cosan e Shell abandonaram as conversas para uma operação de capitalização na Raízen, joint venture que controlam no Brasil. A decisão foi tomada após fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual discordarem de vários termos propostos pela petrolífera e decidirem não injetar dinheiro na companhia.
O impasse marca um revés nos planos para reforçar o capital da empresa, que opera nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis.
O compromisso público da Shell
A empresa sediada em Londres prometeu publicamente injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo na Raízen na terça-feira. No início do mesmo dia, o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a empresa está comprometida em investir esse valor.
Ele também declarou que espera que a Cosan invista um montante equivalente, demonstrando a intenção inicial de um esforço conjunto para recapitalizar a joint venture.
Condições da proposta da Shell
No entanto, a proposta da Shell, que tornaria a empresa acionista majoritária da Raízen, exigiria que a petrolífera absorvesse a dívida da companhia em seu próprio balanço. Além disso, a proposta exigiria que a Shell administrasse a empresa Raízen, um ponto que gerou resistência entre outros envolvidos.
A decisão da Cosan de abandonar seus planos de investimento na Raízen foi noticiada anteriormente nesta terça-feira pelo Valor Econômico.
As discordâncias com os fundos do BTG
Os fundos de private equity da BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas pela empresa em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global. Em paralelo, também não houve consenso sobre o valor dos pagamentos de royalties, outro ponto crucial nas negociações.
Essas divergências foram determinantes para que os fundos administrados pelo BTG Pactual decidissem não aportar recursos na operação.
Plano de reestruturação do BTG
Por outro lado, a Shell se opôs a um plano dos fundos da BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata. O plano dos fundos do BTG incluiria separar a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis na qual os fundos investiriam.
Essa visão diferente sobre a estrutura futura da companhia aprofundou o desacordo entre as partes.
Outros pontos de impasse
Além das questões sobre royalties e reestruturação, não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores. Também não foi possível chegar a um acordo sobre o nível de redução da alavancagem necessário para a saúde financeira da Raízen.
Outro tema que permaneceu sem solução foi o que fazer com os passivos fiscais da empresa, complicando ainda mais o cenário das negociações.
Próximos passos da Shell
Diante desses múltiplos impasses, a empresa sediada em Londres deve apresentar seu próprio plano para os bancos já nesta quarta-feira. A Shell não quis comentar sobre o abandono das conversas ou sobre os detalhes do novo plano que pretende levar adiante.
A fonte não detalhou se a proposta manterá o valor de R$ 3,5 bilhões inicialmente prometido.
O papel individual de Rubens Ometto
A possibilidade de o empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, participar individualmente da capitalização pode depender da obtenção de um empréstimo para contribuir com os R$ 500 milhões que propôs. Essa movimentação indica que, mesmo com o fim das negociações conjuntas, pode haver esforços isolados para injetar recursos na Raízen.
No entanto, a fonte não detalhou se essa alternativa será efetivamente perseguida ou se enfrentará os mesmos obstáculos que paralisaram as tratativas em grupo.
Impacto e perspectivas para a Raízen
O desfecho das conversas deixa a Raízen em uma situação de incerteza quanto ao seu futuro financeiro e operacional. A interrupção das negociações ocorre em um momento delicado para o setor, que enfrenta desafios tanto no mercado de combustíveis quanto no de biocombustíveis.
A empresa agora aguarda os desdobramentos do plano que a Shell prometeu apresentar aos bancos, na esperança de que uma nova proposta possa destravar a situação.