Cirurgia Ambulatorial: alavanca para operadoras de saúde
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O setor de saúde privado no Brasil enfrenta um cenário de ajustes financeiros. A sinistralidade – indicador que mede a relação entre despesas assistenciais e receitas de planos – apresenta trajetória de queda.

No quarto trimestre de 2024, o índice atingiu 82,2%, conforme análise do desempenho econômico-financeiro das operadoras. Esse movimento abre espaço para a discussão sobre modelos assistenciais mais eficientes.

A cirurgia ambulatorial emerge como uma alavanca estratégica promissora para as operadoras.

O cenário atual da sinistralidade

O índice de 82,2% registrado no último trimestre de 2024 representa o menor patamar para esse período desde 2018. Essa informação consta na publicação “ANÁLISE DO DESEMPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO DAS OPSS-2017-2024”, de Souza, A. A. de, & Enes, W. M. (2026).

Os dados indicam que a trajetória de recuo se manteve ao longo de 2025. Isso sugere uma tendência de maior controle sobre os custos assistenciais por parte das operadoras.

Esse contexto financeiro mais favorável cria um ambiente propício para a adoção de inovações no modelo de prestação de serviços.

Qualidade do cuidado em questão

A redução da sinistralidade levanta uma questão fundamental: a economia está sendo alcançada em detrimento da qualidade do cuidado? As evidências disponíveis apontam para uma resposta negativa.

A seguir, exploraremos como a cirurgia ambulatorial se posiciona nesse debate.

Economia sem prejuízo à qualidade

Um dos principais argumentos a favor da cirurgia ambulatorial é que ela permite reduzir custos sem comprometer a segurança e os resultados para os pacientes.

De acordo com estudos, a economia gerada por esse modelo não vem às custas de piores desfechos clínicos. Os pacientes submetidos a procedimentos em regime ambulatorial não apresentam resultados de saúde inferiores quando comparados àqueles que passam por internações tradicionais.

Indicadores assistenciais melhorados

Além disso, a economia ocorre com indicadores assistenciais substancialmente melhores, segundo as mesmas fontes. Isso significa que métricas relacionadas ao cuidado podem até melhorar.

Outro ponto crucial é que a redução de gastos não está associada a maiores taxas de readmissão hospitalar. Esse indicador negativo sinalizaria complicações pós-operatórias.

Portanto, o modelo parece conciliar eficiência financeira e qualidade assistencial.

Evidências internacionais de sucesso

A literatura médica global tem dedicado atenção aos benefícios da cirurgia ambulatorial. Um estudo publicado no JAMA Health Forum investigou o valor da cirurgia realizada fora do ambiente hospitalar.

A pesquisa “Where is the value in ambulatory versus inpatient surgery?”, de Friedlander, D. F., Krimphove, M. J., Cole, A. P., et al. (2021), contribui para esse corpo de evidências.

Dados quantitativos expressivos

Outro trabalho, intitulado “Savings Associated With Bundled Payments for Outpatient Spine Surgery Among Medicare Beneficiaries”, trouxe dados quantitativos expressivos.

Publicado por Kilaru, A. S., Ng, G. Y., Wang, E., et al. (2025), mostrou que a implementação de pagamentos por pacote para cirurgias ambulatoriais de coluna foi associada a uma redução de quase 10% nos gastos para o Medicare.

Esse resultado demonstra o impacto financeiro positivo que modelos de pagamento alinhados à cirurgia ambulatorial podem gerar em larga escala.

A ponte brasileira para as melhores práticas

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Ambulatorial (SOBRACAM) desempenha um papel central na disseminação desse modelo. A entidade é a representante do país na International Association for Ambulatory Surgery (IAAS).

Essa associação internacional é dedicada ao tema da cirurgia ambulatorial. Dessa forma, a SOBRACAM funciona como uma ponte para o que há de mais avançado no mundo em termos de cirurgia realizada sem necessidade de internação prolongada.

Adaptação e capacitação

Consequentemente, a sociedade traz para o cenário nacional as melhores práticas e os modelos de sucesso já validados internacionalmente. Esse trabalho de adaptação e capacitação é fundamental para que hospitais, clínicas e operadoras de saúde possam implementar a cirurgia ambulatorial com segurança e eficácia.

A troca de conhecimento permite que o setor de saúde brasileiro avance na oferta de um cuidado mais ágil e com melhor custo-benefício.

Rumo a um modelo mais sustentável

A trajetória de queda da sinistralidade cria uma janela de oportunidade. O índice de 82,2% no quarto trimestre de 2024 marca o menor patamar para o período em seis anos.

Nesse contexto, a cirurgia ambulatorial se consolida não como uma mera alternativa logística, mas como uma alavanca estratégica de peso para as operadoras de saúde.

Conciliação de objetivos

As evidências sugerem que é possível conciliar a necessária contenção de custos com a manutenção – e até a melhoria – dos padrões de qualidade assistencial.

Estudos internacionais fornecem base empírica para essa assertiva. Eles mostram reduções significativas de gastos, como os quase 10% economizados pelo Medicare com cirurgias de coluna em regime ambulatorial.

No plano nacional, a atuação da SOBRACAM facilita a incorporação dessas inovações. Ela conecta o Brasil às melhores práticas globais.

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