Cadeia de dispositivos médicos pede mais eficiência
Crédito: www.saudebusiness.com
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O prazo médio entre a autorização para emitir a nota fiscal e o recebimento do pagamento, após a realização de um procedimento cirúrgico, alcançou 170 dias. Somente a inadimplência cresceu 71% e atingiu o maior volume desde o início do monitoramento, há oito anos. Os dados revelam um cenário de pressão financeira sobre hospitais, distribuidores e importadores de dispositivos médicos no Brasil.

Diante desse quadro, a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) propõe uma revisão estrutural da cadeia. A entidade argumenta que o enfrentamento do problema precisa ir além da discussão sobre prazos de pagamento. É necessário tornar o processo como um todo mais transparente, padronizado, digital e rastreável.

Por que a cadeia precisa mudar agora

O alongamento dos prazos e o aumento da inadimplência comprometem o fluxo de caixa de toda a cadeia. Menos retrabalho, menos glosas evitáveis, menor tempo de ciclo e maior segurança das informações significam também menor necessidade de capital de giro para financiar ineficiências do sistema. A proposta da ABRAIDI busca atacar exatamente esses gargalos.

Para a entidade, a transformação passa por uma agenda de digitalização que envolve 13 etapas. Essa visão transforma as 13 etapas propostas em algo maior do que uma agenda de digitalização. Trata-se de construir uma cadeia em que cada passo produza informação confiável para a fase seguinte e em que as divergências possam ser identificadas antes de se transformarem em perdas financeiras.

Transparência e padronização como pilares

Um dos pontos centrais da proposta é a padronização de itens e regras de governança. Na sequência, a cotação deve observar regras de governança, padronização de itens, prazos e tabelas de referência, criando maior previsibilidade comercial e técnica. Essa previsibilidade não significa eliminar todas as variáveis de uma operação complexa, mas reduzir a incerteza desnecessária.

Para uma cadeia que movimenta dispositivos fundamentais à assistência à saúde, essa mudança é estratégica. A redução de incertezas permite que hospitais e fornecedores planejem melhor seus estoques e investimentos, evitando rupturas e desperdícios.

Digitalização como caminho para rastreabilidade

A digitalização dos processos é apontada como ferramenta essencial para aumentar a rastreabilidade. Com sistemas integrados, cada etapa da cadeia — da cotação ao pagamento — pode gerar dados auditáveis e acessíveis. Isso facilita a identificação de divergências e reduz a ocorrência de glosas evitáveis.

A ABRAIDI defende que a transparência resultante desse processo beneficia todos os elos. Hospitais ganham previsibilidade de custos, distribuidores reduzem riscos de inadimplência e importadores conseguem planejar melhor suas operações. A fonte não detalhou quais tecnologias específicas seriam adotadas nas 13 etapas.

Impacto financeiro e operacional

Os números apresentados evidenciam a urgência da mudança. Com 170 dias de prazo médio e inadimplência em alta recorde, o custo financeiro da ineficiência recai sobre toda a cadeia. A proposta da ABRAIDI busca reduzir esse custo por meio de processos mais enxutos e confiáveis.

Menos retrabalho e menos glosas evitáveis significam economia direta. Além disso, a menor necessidade de capital de giro libera recursos que podem ser reinvestidos em inovação e melhoria da assistência ao paciente.

Próximos passos para o setor

A implementação das 13 etapas depende de engajamento de todos os atores da cadeia. A ABRAIDI não detalhou um cronograma específico, mas reforçou a importância de avançar na digitalização e na padronização. O debate sobre prazos de pagamento, embora relevante, é apenas parte de um problema mais amplo.

A entidade conclui que a construção de uma cadeia mais eficiente é condição para a sustentabilidade do setor de dispositivos médicos no Brasil. A fonte não detalhou se já há adesão formal de hospitais ou operadoras à proposta.

*Davi Uemoto, diretor executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI).

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