O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma tempestade perfeita que elevou o risco de sua liquidação, um cenário antes considerado impensável para uma instituição regional e estatal. A demora na resolução da crise pode levar à liquidação do banco, conforme alertam fontes próximas ao processo.
O Banco Central e o próprio BRB tentam evitar esse desfecho, que poderia causar um risco sistêmico no sistema financeiro. A situação ocorre em um momento em que a governadora Celina Leão busca salvar a instituição com o apoio de funcionários.
Governadora assume o comando da crise
A responsabilidade sobre o futuro do BRB recai sobre a governadora Celina Leão, após a saída de Ibaneis Rocha do Governo do Distrito Federal (GDF). Ibaneis Rocha deixou o cargo para disputar as eleições ao Senado, em um contexto em que a oposição local vem defendendo publicamente sua prisão.
Celina Leão, ao tomar posse, retirou um prédio da lista de garantias para um empréstimo. O imóvel em área de proteção ambiental conhecido como “Serrinha do Paranoá” havia parado na Justiça.
Posicionamento da nova gestão
A governadora afirma que o banco é sólido e superará a crise, posição reafirmada em evento realizado em 16 de abril, quando destacou que a instituição está sob nova gestão. Ela sustenta que o envolvimento do ex-presidente Paulo Henrique Costa no escândalo do Banco Master é um caso de competência do Judiciário.
Segundo Celina Leão, a atual administração está distanciada do passado conturbado. A nova gestão do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, em meio às turbulências.
Busca desesperada por capital
Para enfrentar a crise, o BRB busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que teria como garantia imóveis do patrimônio público do GDF. A fonte não detalha todos os ativos envolvidos nessa operação.
Paralelamente, o banco planeja vender carteiras de crédito como parte de um esforço para recompor seu caixa. Em uma assembleia geral extraordinária marcada para quarta-feira, 22 de abril, a instituição pretende votar um aumento de capital.
Obstáculos na capitalização
O objetivo do aumento de capital é vender ações para levantar até R$ 8,8 bilhões. No entanto, a primeira reunião dessa assembleia geral extraordinária foi cancelada, indicando obstáculos no caminho para a captação de recursos.
Os próximos meses serão cruciais para a sobrevivência do banco, conforme avaliações de especialistas, que destacam a urgência das medidas. A possibilidade de uma federalização do BRB já foi negada pelo Ministério da Fazenda, fechando uma alternativa que poderia aliviar a pressão.
Investigações da PF aprofundam a crise
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira, 16 de abril, a quarta fase da operação Compliance Zero. A operação investiga um suposto esquema de fraudes estimadas em mais de R$ 12 bilhões entre o Banco Master e o BRB.
Na quarta fase, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso, após ter sido afastado da presidência na primeira fase da operação. Costa é uma figura central no esquema, sendo apontado como peça importante para desvendar os detalhes da tentativa de compra do Master pelo BRB e possíveis irregularidades.
Transações questionáveis reveladas
As investigações revelaram uma negociação envolvendo o pagamento a Paulo Henrique Costa de seis imóveis em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões. Em uma mensagem no celular do banqueiro do Master, ele afirmou a uma corretora de imóveis: “Preciso dele feliz”, sugerindo transações questionáveis.
A Polícia Federal continua suas apurações, o que adiciona incerteza ao cenário já frágil do banco.
Alternativas de desfecho em debate
No mercado financeiro, é incomum a liquidação de bancos regionais ou estatais, com o desfecho mais utilizado sendo a privatização. No entanto, a alternativa da privatização já foi negada pelo presidente do BRB, Nelson de Souza, indicando resistência interna a essa solução.
Isso deixa a governadora Celina Leão com o desafio de encontrar um caminho viável, enquanto o Banco Central monitora de perto para evitar um risco sistêmico.
Cenário atual e perspectivas
Com a federalização e a privatização descartadas, o BRB depende agora de sucesso em suas iniciativas de capitalização e reestruturação. A demora nas decisões pode levar à liquidação do banco, um cenário que todos os envolvidos tentam evitar a todo custo.
O desenrolar dos próximos meses definirá o destino da instituição, em um teste para a gestão de Celina Leão e a resiliência do sistema financeiro regional.
