O Brasil já ocupa uma posição privilegiada na relação comercial com a China, mas o desafio agora é evoluir da exportação de volume para uma estratégia de maior valor agregado. A avaliação é de Santana, especialista no tema, que vê oportunidades à medida que o gigante asiático foca em ampliar o consumo interno.
Proteína animal como carro-chefe
Santana destaca que a proteína animal continua sendo uma das grandes oportunidades para o Brasil. Em 2025, a China importou cerca de US$ 8,9 bilhões em carne bovina brasileira, demonstrando a força do setor. O consumo chinês segue crescendo, e o Brasil mantém competitividade relevante nesse segmento.
No entanto, o especialista acredita que é preciso ir além do volume. A aposta em produtos com maior valor agregado pode consolidar ainda mais a presença brasileira no mercado chinês.
Cosméticos e produtos naturais em alta
Santana vê muito potencial em cosméticos naturais, produtos amazônicos, própolis, suplementos e alimentos saudáveis. O consumidor chinês premium valoriza rastreabilidade, origem, sustentabilidade e bem-estar, características que o Brasil pode oferecer.
Para aproveitar essa demanda, Santana defende que a oportunidade é enorme, mas exige profissionalização, branding e entendimento profundo do comportamento do consumidor chinês. Não basta ter um bom produto; é preciso comunicar seus diferenciais de forma eficaz.
Impacto do consumo interno chinês
Se o consumo doméstico realmente crescer, parte da produção chinesa passará a ser absorvida pela própria população. Isso pode reduzir a pressão global sobre manufatura, siderurgia e indústria pesada, abrindo espaço para produtos premium importados, segundo Santana.
Ele afirma que o crescimento do consumo chinês tende a beneficiar categorias como café especial, alimentos saudáveis, cosméticos naturais, suplementos, turismo e experiências de consumo sofisticadas. O Brasil tem condições de atender a essa demanda, desde que se prepare adequadamente.
E-commerce como porta de entrada
O e-commerce cross-border chinês já movimenta mais de US$ 400 bilhões, permitindo que marcas estrangeiras vendam diretamente ao consumidor sem montar operação física no país. Santana afirma que isso muda completamente a lógica de entrada para pequenas e médias empresas brasileiras.
Com a digitalização do varejo, fica mais fácil testar produtos e construir marca antes de investir pesado em logística local. No entanto, o especialista ressalta que tudo depende da execução das reformas internas chinesas. A China fala há mais de 20 anos em fortalecer o consumo doméstico, mas o avanço até aqui ainda foi relativamente lento.
Diante desse cenário, o Brasil precisa agir com estratégia e paciência, aproveitando as janelas que se abrem sem perder de vista os desafios estruturais.
Fonte
- www.infomoney.com.br
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