O Dr. Luiz Caires, PhD, cofundador e CEO da Vyro Bio, voltou da BIO International Convention, realizada na Califórnia, com um diagnóstico contundente: a biotecnologia deixou de ser apenas um ramo da ciência para se tornar um ativo estratégico em termos de geopolítica e soberania tecnológica.

Na visão do executivo, o setor é hoje uma das fronteiras mais decisivas da economia global. No entanto, ele ressalta que o Brasil ainda não construiu um ecossistema de negócios à altura da sua ciência de ponta. A análise foi originalmente publicada em um artigo no portal Startups.

Biotecnologia no centro da soberania

Em sua participação no maior encontro global da indústria de biotecnologia, Caires afirmou que o evento reforçou uma convicção que já vinha se formando.

Estive na BIO International Convention, o maior encontro global da indústria de biotecnologia, na Califórnia, e voltei com uma convicção que já vinha se formando há tempo: a biotecnologia deixou de ser apenas um capítulo da ciência. Ela se tornou uma peça central de geopolítica, de soberania tecnológica e de uma das fronteiras mais decisivas da economia global.

Caires, que lidera uma empresa de biotecnologia, observa de perto como o capital e a inovação caminham juntos nessa indústria. Para ele, a percepção do setor como estratégico já influencia decisões de investidores e governos ao redor do mundo.

O executivo também destaca que a biotecnologia, por sua natureza, conecta avanço científico e impacto econômico de maneira direta.

O que o Brasil precisa acompanhar

O próprio evento, ao reunir os principais atores globais do setor, funciona como um termômetro para as prioridades da indústria. Na visão de Caires, o Brasil precisa acompanhar esse movimento para não ficar à margem das oportunidades que surgem nesse campo.

A convicção do autor é de que a ciência brasileira de ponta exige, com urgência, um ambiente de negócios à altura.

Ciência brasileira esbarra na falta de negócios

O artigo escrito por Caires leva um título provocativo: “Por trás da ciência brasileira de ponta, falta um ecossistema de negócios à altura”. A frase resume o paradoxo vivido pelo país, que produz conhecimento relevante, mas não consegue transformá-lo em empreendimentos robustos.

O autor aponta que esse descompasso limita o impacto econômico da ciência nacional, sem, contudo, apresentar exemplos específicos de iniciativas que estejam nessa situação.

O elo que falta entre laboratório e mercado

Na avaliação do executivo, o ecossistema de negócios é o elo que falta entre o laboratório e o mercado. Ele observa que a biotecnologia, para prosperar, exige não apenas pesquisa de qualidade, mas também financiamento, infraestrutura e um ambiente favorável à criação de empresas.

Essa combinação, segundo ele, ainda não ocorre de forma plena no Brasil. O autor também chama a atenção para o fato de que a ciência brasileira de ponta, mencionada no título do seu artigo, carece de uma contrapartida empresarial.

Em outras palavras, não basta produzir descobertas; é preciso garantir que elas sejam comercialmente exploradas. Essa é a lacuna que ele identifica no ecossistema nacional de inovação.

Volume de capital que o Brasil não tem

Para ilustrar a disparidade, Caires recorre a números consolidados por entidades do setor. Segundo a National Venture Capital Association e a PitchBook, os Estados Unidos contam com:

  • Cerca de 700 fundos de venture capital especializados em ciências da vida e biotecnologia;
  • Mais de US$ 30 bilhões investidos no setor em 2024.

Os dados ajudam a entender por que a inovação em biotecnologia avança tão rapidamente em determinados mercados. O capital, nesse contexto, funciona como combustível para transformar descobertas científicas em produtos e soluções comercializáveis. O Brasil, conforme o autor, ainda não dispõe desse volume de recursos, o que reforça a tese de que o potencial científico nacional está subaproveitado.

O contraste entre Brasil e Estados Unidos

O contraste entre os dois países não é apenas numérico, mas também estrutural. Enquanto os Estados Unidos possuem um ecossistema maduro, com fundos especializados e investimentos robustos, o Brasil ainda busca construir uma ponte entre ciência e mercado.

A observação de Caires, nesse sentido, serve como um alerta para a necessidade de estratégias que estimulem o capital de risco em biotecnologia.

O texto, assinado por Dr. Luiz Caires, PhD, cofundador e CEO da Vyro Bio, foi publicado inicialmente no portal Startups. O alerta, portanto, vai além da ciência: envolve também estratégia econômica e soberania nacional. A conclusão do autor é que o Brasil precisa urgentemente de políticas e investimentos para conectar ciência e negócios. E é por isso que o tema precisa entrar na agenda estratégica do país.

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