Os bancos brasileiros revisaram para cima a expectativa de crescimento da carteira de crédito para 2026, passando de 7,9% para 8,2%. A mudança foi divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que representa o setor, com base em pesquisa realizada em dezembro.
A melhora nas projeções é atribuída principalmente à perspectiva de expansão das operações com recursos direcionados.
Otimismo com o crédito direcionado
A maior mudança nas expectativas do setor bancário se deu em relação ao crédito direcionado. Para este ano, as projeções subiram de 9% para 9,4%. Já para 2025, a previsão de crescimento do saldo dessa carteira passou de 10,1% para 10,9%.
Papel dos bancos públicos
Os maiores operadores de crédito direcionado são bancos públicos, o que destaca o papel dessas instituições no cenário atual.
Contraste com crédito livre
Em contraste, o crescimento previsto para a carteira de crédito com recursos livres é de 7,6%. Essa diferença entre os tipos de crédito reflete a aposta dos bancos em linhas com finalidades específicas, muitas vezes ligadas a políticas públicas.
Resiliência em meio a desafios
Conforme a Febraban, os números recentes do mercado de crédito mostram que a carteira mantém um crescimento elevado, apesar da alta da taxa básica de juros (Selic).
Visão dos bancos sobre desaceleração
Sete a cada dez bancos (73,7%) avaliam que a desaceleração do crédito será gradual, e não abrupta. Essa visão sugere um cenário de ajuste controlado para o setor.
Fatores compensatórios
Além disso, a resiliência do mercado de trabalho e os estímulos públicos tendem a compensar parte do impacto da política monetária contracionista e do aumento da inadimplência.
Revisão das projeções para 2023
A pesquisa da Febraban também trouxe uma revisão para o ano passado. A projeção ao crescimento da carteira de crédito em 2023 passou de 8,9% para 9,2% na pesquisa realizada em dezembro.
Metodologia da pesquisa
A última pesquisa da Febraban ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro, oferecendo um retrato atualizado das perspectivas do setor. Esse levantamento regular permite acompanhar a evolução do sentimento entre as principais instituições financeiras do país.
Preocupações com o arcabouço fiscal
O entendimento de 80% das instituições financeiras consultadas pela pesquisa é de que o governo precisará de medidas adicionais para cumprir a meta do arcabouço fiscal.
Exigências do marco fiscal
Esse marco obriga o governo a, no mínimo, zerar o déficit primário, o que exige ajustes nas contas públicas. A aposta do setor bancário é de que o governo manterá a estratégia de aumentar as receitas ou vai retirar despesas do arcabouço para cumprir a meta.
Impacto no mercado de crédito
Essa preocupação com as finanças públicas aparece como um contraponto ao otimismo com o crédito. A implementação do arcabouço fiscal pode influenciar a disponibilidade de recursos e as condições econômicas gerais, afetando indiretamente o mercado de crédito.
Perspectivas para os próximos anos
Para 2026, os bancos preveem crescimento de 8,2% da carteira de crédito, acima da previsão anterior de 7,9%. Essa revisão reflete uma avaliação mais positiva do ritmo de expansão do setor a médio prazo.
Motor do crescimento
A melhora nas expectativas é dada a perspectiva de expansão das operações com recursos direcionados, que devem puxar o crescimento geral. Esse movimento sugere que os bancos enxergam oportunidades específicas, mesmo em um ambiente macroeconômico que ainda apresenta incertezas.
