Em março, mês dedicado às mulheres, o portal Saúde Business lança a série especial Mulheres na Saúde. A iniciativa amplia o debate sobre equidade de gênero como agenda estratégica para a sustentabilidade do setor.
Entre as profissionais em foco está Ana Estela Haddad, que comanda a transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS).
Trajetória entre ciência e gestão pública
Ana Estela Haddad possui uma trajetória profissional que atravessa três áreas principais:
- Prática clínica em consultório próprio
- Atuação acadêmica
- Formulação de políticas públicas
Sua formação na interseção entre ciência, gestão pública e transformação digital a preparou para desafios complexos. Essa bagagem diversificada a levou a assumir posições de liderança no setor público.
Liderança na digitalização do SUS
Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI)
Em 2023, Ana Estela Haddad passou a liderar a SEIDIGI, órgão criado na gestão da ministra Nísia Trindade. A secretaria coordena a estratégia nacional de informação e saúde digital, um pilar fundamental para a modernização do SUS.
Nessa posição, Haddad conduz esforços para integrar tecnologia e dados em todo o sistema público de saúde.
Desafio da escala brasileira
O Brasil é o único país que mantém um sistema de saúde público e de acesso universal para mais de 100 milhões de habitantes. Com mais de 200 milhões de residentes, a escala exige soluções inovadoras e eficientes.
A transformação digital não é apenas uma opção, mas uma necessidade para garantir sustentabilidade e qualidade do atendimento.
Feminização da área da saúde
Ana Estela Haddad conduziu pesquisa sobre a trajetória dos cursos de graduação na área da saúde, consultando dados do INEP/MEC do Censo da Educação Superior. O estudo revelou:
- A partir da década de 1990, houve feminização da área da saúde
- Mais recentemente, homens deixaram de ser maioria também em cursos de alta demanda como Medicina
Essa mudança demográfica reflete transformações sociais mais amplas. A presença crescente de mulheres em posições de liderança, como a de Haddad, é um desdobramento natural desse processo.
Desafios além da saúde: violência de gênero
Em 2025, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Isso representa quatro mortes por dia, um número que expõe a gravidade da violência de gênero no país.
Essas estatísticas contrastam com os avanços na representação feminina em setores como a saúde. A série Mulheres na Saúde busca não apenas celebrar conquistas, mas reforçar a importância da equidade como base para um setor mais justo e eficiente.
Futuro da saúde digital no Brasil
Sob o comando de Ana Estela Haddad, a SEIDIGI trabalha para implementar uma estratégia nacional que aproveite o potencial da tecnologia na saúde. A digitalização promete:
- Otimizar processos
- Melhorar o acesso a informações
- Facilitar a integração entre diferentes níveis de atendimento
Para um sistema tão vasto como o SUS, essas mudanças podem significar ganhos significativos em eficiência e qualidade.
