A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deu um passo importante na reestruturação de suas dívidas. Nesta sexta-feira, 20, a empresa informou que assinou uma carta-compromisso vinculante com um grupo de bancos para um novo financiamento.
O objetivo é alongar o passivo e aliviar vencimentos imediatos, conforme parte de um plano mais amplo de desalavancagem.
Detalhes do novo financiamento da CSN
O novo empréstimo sindicalizado tem valor inicial de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão. O contrato está sendo estruturado com grandes bancos internacionais e locais.
Bancos envolvidos na operação
- Morgan Stanley
- Citi
- Credit Agricole
- HSBC
- XP
- BNP Paribas
- Banco do Brasil
- Bradesco
A tomadora do empréstimo será a CSN Inova Ventures, com garantias da própria CSN e da CSN Cimentos.
O financiamento terá vencimento em cinco anos e juros iniciais de SOFR mais 6% ao ano. Essa taxa de referência, conhecida como Secured Overnight Financing Rate, é um índice amplamente utilizado em operações financeiras globais.
Pressão dos vencimentos imediatos
A necessidade de alongar a dívida surge em um momento de pressão financeira. R$ 9,4 bilhões vencem ao longo deste ano, com um bond de cerca de R$ 1 bilhão com data de vencimento já no final de abril.
Diante desse cenário, o novo crédito deve ajudar a aliviar vencimentos de curto e médio prazo, oferecendo um respiro para a gestão do caixa.
Além disso, o novo crédito poderá ser garantido, em parte, por ativos que já estão no radar para venda. Essa estratégia permite que a empresa antecipe parte do dinheiro que espera levantar com esses desinvestimentos, otimizando o fluxo de recursos.
Estratégia de desalavancagem em curso
O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou em teleconferência com analistas ao explicar o plano de desalavancagem. A meta da empresa é chegar ao fim de 2026 com uma alavancagem entre 2 vezes e 1,8 vez, considerando também ganhos operacionais.
Em um horizonte mais longo, de oito anos, o objetivo é atingir a relação de 1 vez dívida líquida sobre Ebitda, um indicador de saúde financeira.
Medidas para alcançar as metas
- Vender o controle da CSN Cimentos
- Negociar uma participação minoritária, mas relevante, na unidade de Infraestrutura
Essas movimentações fazem parte de uma reestruturação mais ampla do grupo, que busca maior eficiência e sustentabilidade financeira.
Impacto e próximos passos
A operação de empréstimo representa um alívio imediato para o caixa da empresa, mas seu sucesso dependerá da execução do plano de desinvestimentos. A garantia parcial por ativos a serem vendidos mostra uma tentativa de vincular as fontes de recursos, criando uma estratégia integrada.
O envolvimento de bancos de renome internacional e local reforça a credibilidade da operação perante o mercado.
Com a assinatura da carta-compromisso, a CSN avança na concretização de seu plano financeiro. Os próximos meses serão cruciais para observar a efetivação das vendas de ativos e o impacto na redução da alavancagem.
A empresa segue focada em reequilibrar sua estrutura de capital, buscando maior estabilidade para o futuro.