A Allos (ALOS3), empresa do setor de shopping centers, anunciou a distribuição de até R$ 1,8 bilhão em dividendos em 2025. Os pagamentos serão mensais, entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação, até dezembro.
A estratégia visa atrair investidores em busca de renda recorrente. Isso coloca a ação em competição direta com fundos imobiliários (FIIs), tradicionalmente populares nesse segmento.
Plano de distribuição de dividendos da Allos
A promessa de dividendos elevados faz parte da política de remuneração aos acionistas. Os valores mensais por ação devem se manter no patamar citado até o final do ano.
Daniella Guanabara, CFO da Allos, é uma das executivas à frente da gestão financeira que viabiliza essa distribuição. A iniciativa ocorre em um momento de valorização expressiva das ações na Bolsa de Valores brasileira (B3).
Desempenho da ação ALOS3
Desde janeiro, a ALOS3 acumula alta de cerca de 11%. Em 12 meses, o avanço se aproxima de 65%. O papel saiu de R$ 19,26, em fevereiro de 2025, para os atuais R$ 31,64.
Esse desempenho reflete as expectativas positivas em torno dos retornos prometidos aos investidores.
Reestruturação do portfólio imobiliário
Para viabilizar os dividendos, a Allos realizou uma série de vendas de ativos nos últimos anos. Essas movimentações permitiram captar recursos e focar na estratégia de distribuição de renda.
Vendas de ativos realizadas
- Em 2023: alienação de participações no Shopping Estação Curitiba e no Plaza Sul Shopping ao XP Malls (XPML11), em transação de quase R$ 200 milhões.
- No mesmo ano: venda de frações no Shopping Jardim Sul e no Bauru Shopping por cerca de R$ 444 milhões ao Hedge Brasil Shoppings (HGBS11).
- Em 2024: compromisso do FII Genial Malls (MALL11) para adquirir 45% do Rio Anil Shopping, em operação avaliada em R$ 172 milhões.
O peso dos fundos imobiliários no mercado
No segmento de renda recorrente, os FIIs são players estabelecidos. O fundo imobiliário Maxi Renda (MXRF11) é o maior da bolsa em número de cotistas, com mais de 1,3 milhão.
Ele também possui liquidez diária próxima de R$ 18 milhões, facilitando negociações. Essa base ampla demonstra a popularidade desse tipo de aplicação.
Riscos e diferenças estruturais
Felipe Sousa, analista de fundos alternativos do Andbank, observa que os riscos entre empresas e FIIs são semelhantes. Entre eles estão:
- Vacância dos imóveis
- Desempenho dos lojistas
- Reciclagem do portfólio
No entanto, há diferenças importantes: a companhia administra o imóvel diretamente, enquanto os FIIs são proprietários que não administram.
Comparação entre ações e FIIs
Vantagens das ações como ALOS3
As ações vêm acompanhadas de maior volatilidade, mas oferecem vantagens:
- Possível ganho de capital isento de imposto de renda (IR) quando as vendas no mês não ultrapassam R$ 20 mil
- Combinação de dividendos com chance de valorização das ações
Vantagens dos fundos imobiliários
Os FIIs contam com características atrativas:
- Isenção sobre os dividendos distribuídos
- Atraem investidores focados em renda passiva
- São sempre tributados quando há lucro com a valorização das cotas
Qual é a melhor opção para investir?
Não há uma resposta única sobre a melhor opção entre ações da Allos e fundos imobiliários. A escolha deve considerar:
- Tolerância ao risco
- Horizonte de investimento
- Objetivos financeiros
Ambas as alternativas compartilham riscos ligados ao setor imobiliário e ao desempenho dos shoppings. A Allos, com sua estratégia agressiva de distribuição, acirra a concorrência nesse mercado.
Investidores devem avaliar cuidadosamente as características de cada produto antes de alocar recursos. A diversificação permanece uma prática recomendada para mitigar riscos.
