Bibliotecas são essenciais na formação médica na era digital
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Bibliotecas na vanguarda da formação médica

Um estudo recente destaca a importância crescente das bibliotecas universitárias na formação de novos médicos, especialmente em um contexto de acelerada transformação digital na saúde.

A pesquisa “O papel das bibliotecas na formação médica em tempos de saúde digital”, realizada pela Wolters Kluwer Health, investigou como esses espaços têm apoiado os cursos de medicina na incorporação de tecnologias usadas por profissionais da saúde à rotina acadêmica.

O levantamento foi conduzido por meio de questionário online para gestores de bibliotecas de 66 instituições públicas e privadas em todo o Brasil, abrangendo diferentes portes e modelos de gestão.

Medicina Baseada em Evidências e mediação do conhecimento

Os resultados revelam a relevância desses espaços na consolidação da Medicina Baseada em Evidências (MBE) e os desafios para ampliar o uso das ferramentas digitais disponíveis.

A MBE é uma abordagem que integra a melhor evidência científica disponível com a experiência clínica e os valores do paciente, sendo fundamental para decisões médicas de qualidade.

Nesse cenário, as bibliotecas surgem como mediadoras essenciais entre o conhecimento científico e sua aplicação prática.

Essa mediação se torna ainda mais crucial considerando a rápida digitalização do setor de saúde. As instituições de ensino precisam preparar futuros profissionais para lidar com tecnologias que já são realidade nos hospitais e consultórios.

Por isso, entender como as bibliotecas estão se adaptando a essa nova realidade é fundamental para avaliar a qualidade da formação médica no país.

Alta adoção de plataformas digitais

Os dados mostram uma penetração significativa de ferramentas digitais nas escolas de medicina brasileiras.

Impressionantes 98,5% das instituições entrevistadas já utilizam pelo menos uma plataforma de conhecimento clínico para dar suporte às decisões.

Plataformas de conhecimento clínico como solução central

Essas plataformas são sistemas que reúnem informações científicas atualizadas, diretrizes clínicas e ferramentas para auxiliar diagnósticos e tratamentos.

Além da ampla adoção, há um reconhecimento claro do valor dessas ferramentas. Entre as instituições pesquisadas, 81,8% apontam a plataforma de conhecimento clínico como a solução mais relevante disponível em suas bibliotecas.

Esse dado sugere que os gestores percebem essas ferramentas não como acessórios, mas como componentes centrais do acervo digital necessário para uma formação médica contemporânea.

A predominância dessas plataformas reflete uma mudança profunda na forma como o conhecimento médico é acessado e aplicado.

Em vez de depender apenas de livros físicos e artigos impressos, estudantes e professores podem consultar informações atualizadas em tempo real, muitas vezes com ferramentas que simulam situações clínicas reais.

Essa transição, no entanto, não acontece sem desafios, que vão desde a capacitação dos usuários até questões de infraestrutura tecnológica.

Acesso remoto se consolida como padrão

A transformação digital nas bibliotecas médicas vai além da simples disponibilização de conteúdos online.

O estudo revela que o acesso remoto se consolidou como prática majoritária em 83,3% das universidades pesquisadas.

Infraestrutura digital e flexibilidade de acesso

Isso significa que estudantes e professores podem acessar os recursos das bibliotecas de qualquer lugar, não apenas dentro do campus ou em computadores específicos.

Esse modelo de acesso ampliado é sustentado por uma infraestrutura digital robusta. Segundo a pesquisa, 81,8% das bibliotecas mantêm conteúdos digitais com acesso remoto, permitindo que a comunidade acadêmica consulte materiais essenciais mesmo fora do ambiente universitário.

Além disso, 78,8% das bibliotecas oferecem acesso aberto, disponibilizando parte de seus acervos sem restrições de login ou localização.

A combinação desses fatores cria um ecossistema de aprendizagem mais flexível e adaptado às necessidades contemporâneas.

Estudantes de medicina, que frequentemente alternam entre aulas teóricas, estágios em hospitais e estudos em casa, podem acessar recursos de qualidade independentemente de sua localização física.

Essa flexibilidade é particularmente valiosa em um curso que exige dedicação intensiva e constante atualização de conhecimentos.

Capacitação tecnológica ainda é desafio

Apesar da ampla disponibilidade de ferramentas digitais, a pesquisa revela percepções variadas sobre o domínio tecnológico dos estudantes.

Para 51,5% das bibliotecas, o conhecimento tecnológico dos alunos é considerado mediano, enquanto 47% das instituições classificam esse conhecimento como alto.

Treinamentos e integração crítica das ferramentas

Esses dados sugerem que há uma heterogeneidade significativa nas habilidades digitais entre os futuros médicos.

Diante desse cenário, as bibliotecas têm assumido um papel ativo na capacitação dos usuários. Treinamentos regulares são oferecidos em 67% das instituições pesquisadas, indicando um esforço sistemático para familiarizar estudantes e professores com as ferramentas disponíveis.

Essas iniciativas vão desde workshops básicos sobre como acessar plataformas até treinamentos avançados sobre como utilizar ferramentas específicas para pesquisa clínica.

A necessidade desses treinamentos reflete uma realidade mais ampla: a simples disponibilização de tecnologia não garante seu uso eficaz.

Para que as ferramentas digitais realmente melhorem a formação médica, é necessário que os usuários saibam não apenas como acessá-las, mas como integrá-las de maneira crítica e reflexiva em seu processo de aprendizagem.

Essa é uma das fronteiras onde as bibliotecas podem fazer a maior diferença.

O caminho para uma formação mais integrada

Os resultados da pesquisa pintam um quadro de transição em andamento.

Por um lado, há avanços significativos na digitalização das bibliotecas médicas, com alta adoção de plataformas clínicas e consolidação do acesso remoto.

Por outro, persistem desafios relacionados à capacitação dos usuários e à integração plena dessas ferramentas na rotina acadêmica.

Função mediadora e futuro da formação médica

O estudo da Wolters Kluwer Health deixa claro que as bibliotecas universitárias deixaram de ser meros depósitos de livros para se tornarem centros dinâmicos de mediação do conhecimento digital.

Seu papel na formação médica vai além do fornecimento de recursos: inclui a curadoria de conteúdos relevantes, a capacitação de usuários e a promoção de uma cultura de uso crítico da informação científica.

À medida que a transformação digital avança no setor de saúde, essa função mediadora tende a se tornar ainda mais crucial.

As bibliotecas que conseguirem equilibrar o acesso a tecnologias avançadas com programas eficazes de capacitação estarão melhor posicionadas para formar médicos preparados para os desafios do século XXI.

O caminho apontado pela pesquisa sugere que o futuro da formação médica depende, em grande medida, de como essas instituições tradicionais se reinventam para o mundo digital.

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