A Oncoclínicas, uma das maiores redes de oncologia do Brasil, enfrenta uma crise financeira e de governança que já impacta sua operação. A empresa, que emprega 18% dos oncologistas do país, vê profissionais migrarem para concorrentes enquanto fornecedores demonstram maior cautela nas negociações.
A incerteza sobre a exposição da companhia ao Banco Master e uma dívida elevada agravam o cenário de desconfiança no mercado.
Crise de governança e busca por novo CEO
A crise de governança na Oncoclínicas surgiu quando a empresa já operava sob pressão financeira. Bruno Ferrari, descrito como um médico visionário, mas um gestor centralizador e de trato difícil, está com os dias contados no comando.
Processo de substituição em andamento
Em janeiro, a companhia anunciou a contratação da consultoria Spencer Stuart para buscar um substituto para Ferrari, processo que está em fase avançada. Além disso, Camille Faria foi anunciada como vice-presidente executiva no último dia 4, em um movimento para reforçar a gestão.
A instabilidade na liderança é um padrão: gerentes e diretores da Oncoclínicas raramente chegam a dois anos de companhia.
Dívida elevada e exposição ao Banco Master
As dificuldades financeiras da empresa têm raízes em sua estratégia de crescimento. A Oncoclínicas se endividou para financiar as aquisições que sustentaram sua expansão.
Indicadores de alavancagem
No terceiro trimestre de 2025, a dívida da companhia equivalia a 4,2 vezes o lucro operacional dos últimos 12 meses, um indicador que sinaliza alavancagem significativa.
Relação com o Banco Master
A situação se complica com a falta de clareza sobre a exposição da Oncoclínicas ao Banco Master, instituição que chegou a deter 15% da empresa. A rede já teve R$ 480 milhões aplicados em CDBs do Banco Master, um vínculo que gera incertezas adicionais no mercado.
Fuga de médicos e revisão de remuneração
O impacto operacional da crise já é visível no quadro de profissionais. As dificuldades financeiras da Oncoclínicas têm levado médicos a buscar oportunidades em concorrentes, um movimento que ameaça um dos principais ativos da rede.
Medidas para reter talentos
Em resposta, a empresa passou a rever alguns parâmetros da remuneração dos médicos, uma tentativa de conter a saída de talentos. A perda de especialistas é particularmente sensível para uma organização que concentra uma fatia significativa da oncologia nacional.
A fonte não detalhou quais parâmetros específicos estão sendo revisados.
Fornecedores em alerta e negociações duras
O cenário de desconfiança se estende aos parceiros comerciais. Fornecedores e potenciais parceiros vêm demonstrando maior cautela em relação à Oncoclínicas devido ao seu perfil de crédito deteriorado.
Mudança na dinâmica de negociação
Historicamente, a Oncoclínicas sempre se valeu do seu tamanho para alongar prazos com fornecedores, mas essa dinâmica mudou. Agora as empresas negociam as condições de pagamento com a Oncoclínicas de forma mais dura, refletindo a percepção de risco elevado.
Uma fornecedora de equipamentos médicos, por exemplo, evitou avançar de forma mais agressiva na parceria com a rede por conta da preocupação com o risco de crédito.
Desafios para a recuperação
A combinação de fatores cria um círculo vicioso difícil de romper. A crise financeira e de governança afasta médicos e desencoraja fornecedores, o que por sua vez pressiona ainda mais os resultados operacionais.
Medidas para estabilização
A nomeação de uma nova vice-presidente executiva e a busca por um substituto para o CEO são passos na tentativa de estabilizar a gestão. No entanto, a solução para os problemas de endividamento e a reconstrução da confiança do mercado demandarão tempo e estratégias claras.
O futuro da rede, que desempenha um papel crucial no sistema de saúde brasileiro, dependerá da capacidade de superar esses obstáculos simultâneos.