A healthtech Linda captou R$ 10 milhões para financiar o desenvolvimento de uma plataforma que utiliza inteligência artificial (IA) para apoiar a detecção precoce do câncer de mama.
O executivo da empresa reflete que hoje está na melhor fase que a empresa jamais esteve, um momento impulsionado pela decisão de internacionalizar a operação.
A captação de recursos chega em um contexto em que o diagnóstico tardio do câncer de mama permanece um problema recorrente não apenas no Brasil, mas em diversos países.
Uma motivação profundamente pessoal
A Linda nasceu de uma motivação pessoal do CEO e seu ex-sócio. Ambos tiveram experiências familiares marcadas pelo diagnóstico tardio do câncer de mama, uma realidade que os moveu a buscar uma solução.
Essa vivência os levou a entender, na prática, as consequências de descobrir a doença em estágio avançado, quando as chances de tratamento bem-sucedido são menores.
A partir dessa dor, surgiu a determinação de criar uma ferramenta que pudesse fazer a diferença para outras mulheres.
Imersão no sistema de saúde
Essa jornada inicial, contudo, exigiu um mergulho profundo no sistema de saúde. Os fundadores passaram entre 2017 a 2019 dedicados ao entendimento completo do ecossistema.
Eles conversaram com médicos, pacientes, gestores públicos e associações para mapear os gargalos existentes.
O objetivo era claro: identificar onde a tecnologia poderia atuar de forma mais eficaz para mudar a realidade de muitas mulheres que ainda descobrem o câncer de mama tardiamente.
Esse período de imersão foi fundamental para moldar a proposta da startup.
Como a tecnologia pretende atuar
A startup opera como uma plataforma de apoio ao diagnóstico precoce, posicionando-se como um exame adjunto à mamografia.
Método de análise
Para isso, utiliza um dispositivo próprio que capta imagens infravermelhas da mama, analisando-as posteriormente por meio de inteligência artificial.
É importante destacar que o sistema não fornece um diagnóstico fechado de câncer. Em vez disso, seu papel é identificar padrões térmicos suspeitos que indiquem a necessidade de exames complementares mais aprofundados.
Papel na triagem
A proposta, portanto, é oferecer uma camada adicional de triagem, sinalizando casos que merecem atenção redobrada e agilizando o encaminhamento para investigação clínica especializada.
Dessa forma, a tecnologia busca ser uma aliada no processo, potencialmente reduzindo o tempo entre a suspeita inicial e a confirmação ou descarte da doença.
A abordagem visa complementar os métodos existentes, não substituí-los.
Superando desafios e mirando no exterior
O caminho até a captação de R$ 10 milhões, no entanto, não foi simples. A Linda enfrentou dificuldades de capitalização no Brasil durante a pandemia de Covid-19, especialmente entre 2020 a 2021.
Esse período desafiador forçou a empresa a repensar sua estratégia e buscar novos horizontes.
Estratégia de internacionalização
A decisão de internacionalizar a operação foi determinante para o momento atual da Linda, representando uma virada em seu planejamento.
Como parte dessa estratégia de expansão, a empresa transferiu sua matriz para o Canadá em 2023.
A mudança reflete uma busca por um ecossistema que possa oferecer mais suporte ao crescimento e à validação da tecnologia em um mercado global.
O executivo da companhia vê essa transição como um passo crucial, que colocou a empresa naquela que ele considera sua melhor fase até agora.
O foco internacional abre portas para enfrentar o problema do diagnóstico tardio em uma escala mais ampla.
O impacto potencial na saúde da mulher
O cerne da missão da Linda é enfrentar um problema de saúde pública significativo. O diagnóstico tardio do câncer de mama é uma questão que afeta milhares de mulheres.
Ele limita as opções de tratamento e reduz as perspectivas de cura.
Integração em diferentes contextos
A plataforma em desenvolvimento pretende ser uma ferramenta acessível que possa ser integrada a diferentes contextos de atendimento, desde clínicas especializadas até unidades básicas de saúde.
Ao atuar como um mecanismo de alerta precoce, a tecnologia tem o potencial de direcionar recursos e atenção médica de forma mais eficiente para as pacientes que mais precisam.
Expectativas de impacto
A expectativa é que, ao reduzir o tempo para a identificação de casos suspeitos, mais mulheres possam iniciar seus tratamentos em fases iniciais da doença.
Esse é o impacto social que move a healthtech e justifica o investimento recebido.
Próximos passos
Com os R$ 10 milhões captados, a Linda tem agora os recursos para avançar no desenvolvimento e na validação de sua plataforma.
Ela busca cumprir a promessa de transformar uma motivação pessoal em uma solução tecnológica com alcance global.
O caminho à frente envolve não apenas o refinamento da IA, mas também a construção de parcerias e a adaptação da ferramenta para diferentes realidades de saúde pública ao redor do mundo.