O estopim de uma nova onda
O movimento que o mercado apelidou de “IApocalipse” encontrou uma nova vítima: o setor financeiro. Na terça-feira, o estopim foi uma ferramenta apresentada pela startup de tecnologia Altruist Corp.
Esse instrumento auxilia assessores financeiros a personalizar estratégias para clientes e gerar holerites, extratos e outros documentos. A reação dos investidores, no entanto, foi imediata e negativa.
Contaminação do sistema financeiro
O movimento dá sequência a uma tendência das últimas semanas, em que o receio em relação à IA passou a contaminar praticamente todos os elos do sistema financeiro.
Esse fenômeno de a inteligência artificial ameaçar setores inteiros ganhou o nome de “AIrmageddon” entre os participantes do mercado. A disrupção via IA, portanto, roubou a cena de outros debates.
Reação em cadeia nos mercados
Na véspera do anúncio da Altruist, investidores já haviam liquidado ações de corretoras de seguros. A causa foi o lançamento de um aplicativo pelo marketplace online Insurify, que utiliza o ChatGPT, da OpenAI, para comparar preços de seguro automotivo.
Isso veio na esteira de um novo modelo divulgado na semana anterior pela Anthropic, voltado à automação de pesquisas financeiras e serviços jurídicos.
Fragilidade elevada do mercado
O modelo da Anthropic, por sua vez, desencadeou vendas expressivas nesses papéis. A reação dos investidores mostra que tudo está em estado de fragilidade elevada quando surgem manchetes sobre IA.
Muitos profissionais de Wall Street, contudo, alertam que parte das vendas pode refletir uma reação automática e exagerada.
Executivos sob pressão
Em meio a esse cenário, participantes com pulseiras vermelhas do Bank of America e crachás brancos da UBS buscavam respostas junto a executivos. A pauta original das conferências era discutir resultados sólidos e pipelines robustos de operações.
No entanto, os líderes foram obrigados a defender suas teses quase em tempo real diante das inquietações.
Adaptação rápida dos profissionais
Devin Ryan, analista da Citizens, estava em seu escritório em Manhattan em uma teleconferência, com a caixa de entrada lotada. Lemmens, por exemplo, disse que não veio a Miami imaginando que, a cada dois dias, um novo segmento do setor financeiro estaria sendo massacrado.
A situação exigiu adaptação rápida dos profissionais.
Perspectivas contraditórias
Embora essas ferramentas de IA possam pressionar o emprego no setor financeiro, elas tendem, em tese, a melhorar lucros e margens das instituições.
O analista de seguros da UBS, Brian Meredith, iniciou o ano projetando que a IA aumentaria a produtividade dos corretores. Essa visão otimista, porém, convive com um ceticismo crescente.
Mudança de foco estratégico
Stephen Biggar, diretor de pesquisa em serviços financeiros da Argus Research, e Ken Barry, chefe de private equity europeu do escritório White & Case, observam uma mudança de foco.
A discussão passou de olhar pela lente do que a IA pode fazer por esse negócio para levá-lo a outro patamar, para questionar se há risco de que essas empresas simplesmente não existam daqui a três ou quatro anos.
Um futuro incerto
A disrupção tecnológica, portanto, coloca o setor financeiro em uma encruzilhada. De um lado, há o potencial de ganhos de eficiência e rentabilidade. De outro, paira a ameaça de obsolescência para modelos de negócio tradicionais.
O que era para ser uma discussão sobre crescimento transformou-se em um debate sobre sobrevivência.
O centro das atenções
A única certeza, por enquanto, é que a inteligência artificial continuará a ser o centro das atenções. Os próximos capítulos dessa história dependerão de como as instituições financeiras responderão a esse novo desafio.
O setor, acostumado a gerenciar riscos, agora se vê diante de um dos mais imprevisíveis.